O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse hoje que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre em relação ao primeiro pode ser de 1,5% a 2%. Segundo ele, já há uma melhora nos indicadores, como o desempenho da indústria, que mostra uma retomada nos últimos cinco meses. O ministro destacou que a produção de veículos bateu recorde, que o crédito voltou e a demanda está muito boa. “Nós estamos muito convencidos de que tudo isso (a crise) é passado”, disse Bernardo, após participar da abertura do 7º Congresso Internacional Brasil Competitivo.

Segundo ele, ainda há setores com problemas, que precisam ser trabalhados, mas o governo está muito otimista. Ele lembrou que, para manter projetos prioritários, o governo teve de reduzir o rigor fiscal neste ano. Mas Bernardo acredita que, a partir do ano que vem, o Brasil terá todas as condições de ter um crescimento maior, com uma receita um pouco melhor, o que permitirá a retomada do rigor fiscal e a trajetória descendente da relação dívida/PIB. Ele lembrou que, a partir de 2010, o governo retomará a meta de superávit primário de 3,3% do PIB. Segundo o ministro, perseguir uma meta fiscal e a redução da dívida/PIB é bom para o País e ajuda a atrair investimentos.

Investimentos

Bernardo explicou ainda que o desejo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de deixar para o próximo governo uma carteira de investimento se deve à dificuldade que o atual governo teve na articulação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) por falta de projetos previamente desenvolvidos. “A decisão de executar será do próximo governo. Mas tendo opções e um trabalho já desenvolvido, poderá fazer isso com mais rapidez”, disse o ministro. Ele argumentou que para realizar um projeto de engenharia e obter a licença ambiental é necessário um período de 1 ano e meio a dois anos. A ideia, afirmou, é que o atual governo já deixe o projeto encaminhado, para ganhar tempo em obras que não estão incluídas no PAC.

O ministro esclareceu que essa nova carteira não pretende ampliar o PAC. Ele lembrou que o PAC já foi ampliado de R$ 500 bilhões para R$ 650 bilhões, e que isso não esgota todas as necessidades do Brasil. “Se o País crescer como estamos prevendo, vai precisar cada vez mais de infraestrutura. O próximo governo, além de ter que resolver a questão do financiamento das obras – se vai ser do orçamento, do BNDES ou internacional – vai precisar ter o projeto. E nós vamos facilitar isso”, explicou.

Para o ministro o Brasil precisa aumentar os investimentos. Ele disse que ainda não se sabe em quanto a crise prejudicou a meta de alcançar 21% do PIB em investimentos em 2010. Em 2008, os investimentos representaram 19% do PIB. Segundo o ministro, os investimentos públicos do governo federal e estatais estão em 3,7% do PIB, o que também é pouco, e que é preciso ampliar para 4,5% a 5% do PIB. Bernardo destacou, no entanto, que esse é um processo iniciado pelo atual governo. “Os governos anteriores tiveram de se concentrar no combate à inflação, no controle da dívida pública e não conseguiram ter uma agenda de investimentos. Mas se o Brasil quer crescer a 5%, 5,5% ou 6%, tem de ter investimentos, tem de ter infraestrutura e outros investimentos em ciência e tecnologia e inovação”, afirmou.