O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, informou hoje que decretos completares ao programa Brasil Maior devem ser anunciados na próxima semana. “Estamos trabalhando nisso, o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), a Fazenda e o Ministério de Ciência e Tecnologia. Acreditamos que, até meados da semana que vem, teremos os decretos.”

Durante o I Fórum Conteúdo Local, realizado no Rio de Janeiro, o ministro rebateu as críticas sofridas pelo programa Brasil Maior. Ele discordou, por exemplo, da análise de que o programa do governo incluiria muitas medidas e ações já conhecidas pelo empresariado. “A crítica de medidas antigas é uma crítica vazia e sem conteúdo, porque, senão, não poderíamos fazer nada do que já foi feito antes”, disse.

Ele explicou que, na prática, o governo está buscando formas novas em instrumentos antigos e instrumentos novos estão sendo usados “de forma cautelosa”. “Este seria o caso de desoneração da folha. Por isso, no caso da folha, só exoneramos quatro setores. No ano que vem, incluiremos mais setores”, afirmou.

Setor automotivo

Pimentel informou que entre os decretos complementares do programa Brasil Maior o setor automotivo será um dos primeiros contemplados. Ele não quis antecipar quais medidas beneficiarão este setor, mas reforçou que esse segmento está sendo lembrado nestes decretos.

Em palestra a empresários, Pimentel citou a área automotiva como uma das que sofrem acirrada concorrência de importados. De acordo com ele, o governo está atento a este movimento e não vai permitir que o mercado automotivo seja completamente dominado por veículos estrangeiros. “Não estamos dizendo que vamos fechar fronteiras, mas vamos defender o nosso mercado doméstico”, disse.

Turbulência

O ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, mostrou-se otimista quanto à postura brasileira frente ao atual cenário de turbulência internacional. Em resposta a perguntas sobre se a economia brasileira não teria o que temer da crise, Pimentel foi taxativo. “Não é que não tenhamos o que temer da crise, mas como disse o ministro Guido Mantega, nós estamos preparados. Acho que o Brasil é um dos países mais preparados para enfrentar a crise”, afirmou Pimentel, que, em seguida completou: “mas crise é crise, temos que ter cautela”.

Durante participação no I Fórum Conteúdo Local, o ministro também mencionou o atual cenário incerto e comparou o ambiente atual a um navio em um mar turbulento. Para ele, se um marinheiro observa o mar turbulento do convés, ele só observa um cenário de crise. Mas quando o marinheiro sobe no mastro, e observa o mesmo mar em um horizonte mais longe, ele percebe que o ambiente é na verdade de grandes transformações. “Estamos atravessando um processo extenso de transformações, de mudanças de paradigmas. Um novo paradigma industrial está emergindo”, disse.

Na avaliação de Pimentel, também deve ocorrer uma mudança no paradigma monetário internacional. O ministro não acredita que o dólar continuará como moeda de troca internacional em um horizonte de longo prazo. Para ele, porém, ainda está incerto qual divisa substituirá a moeda norte-americana. Ele comentou ainda que existe hoje visível esgotamento dos mercados financeiros europeus e norte-americanos. Na análise de Pimentel, todas essas transformações refletiriam uma mudança no eixo geoeconômico mundial, que está se deslocando para o Hemisfério Sul, onde situam-se a China e o Brasil.