O presidente da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO), Sergio Amoroso, confirmou, nesta terça-feira, 8, que há uma preocupação no setor quanto a um possível desabastecimento de papel utilizado na produção de embalagens de papelão ondulado. Essa preocupação foi revelada pelo Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado, em maio passado, após a obtenção de dados que mostravam a projeção de redução dos estoques do setor.

“Já tivemos estresse em 2012, quando o estoque vinculante ficou curto, em 15 dias. O ideal seria entre 25 e 30 dias”, revelou Amoroso em entrevista ao Broadcast. “A previsão para 2013 é de que esse estoque pudesse cair mais e chegar a 10 dias. E essa preocupação ainda existe”, revelou Amoroso. O executivo participou, nesta terça-feira, 8, do 46º Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel, organizado pela Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP).

O presidente da ABPO destaca que as empresas possuem contratos, o que reduz a preocupação de desabastecimento, mas confessa: se houver novo stress no mercado, pode haver falta do papel utilizado na produção das embalagens de papelão ondulado. “Pode haver estresse para indústria que não estiver mais preparada”, disse.

O possível desabastecimento tem origem no aumento da demanda por esses papeis, em função de redução da oferta, como a suspensão de produção de algumas unidades, e também no cenário mais favorável às exportações. Esse último lembrado pelo próprio Amoroso. “O câmbio estimula a exportação”.

A menor oferta de matéria-prima deve reforçar as discussões entre fabricantes e clientes a respeito dos reajustes anunciados para este ano. No início do segundo semestre, fabricantes de papelão ondulado anunciaram reajustes entre 7% e 9%, valores que ainda estão em fase de implantação, segundo o executivo.

Amoroso aponta a alta dos custos para justificar os reajustes. Além de insumos químicos e mão de obra mais caros, o setor sofre com a elevação dos preços das aparas. “A apara subiu e parou, e hoje está na casa de R$ 520 a tonelada. Um ano atrás era cotada em R$ 320 por tonelada”, lembrou.