A política fiscal é e continuará a ser uma forte pressão negativa para os preços dos ativos domésticos, na avaliação do Banco Central explicitada nesta quinta-feira, 24, no Relatório Trimestral de Inflação. “Fatores domésticos, em especial nos campos do atual processo decisório da política fiscal, influenciaram e continuarão a influenciar, se não forem tempestivamente endereçados, os preços desses ativos financeiros”, trouxe o documento divulgado na manhã desta quinta-feira, 24.

Em outro trecho do documento, o BC salienta que a piora sobre as contas públicas em relação ao documento anterior e a deterioração da percepção de risco desencadearam a redução da nota de risco soberano, por “importante agência de classificação de risco”, para patamar inferior ao grau de investimento, no início de setembro. “Nesse contexto, medidas que concorram tempestivamente para o reequilíbrio das contas públicas mostram-se fundamentais para a estabilidade macroeconômica e para a retomada da confiança e do nível de atividade”, disseram.

Em outro local do RTI, o BC ressaltou também os impactos nos preços dos ativos a partir das expectativas sobre as trajetórias sinalizadas para as variáveis fiscais. Isso, especialmente depois de mudanças recentemente anunciadas, mas que ainda não estão consolidadas nas metas fiscais. Além disso, a diretoria cita o rebaixamento da nota de crédito dos títulos soberanos brasileiros por uma das grandes agências de avaliação de risco.

Essa avaliação do impacto sobre os preços dos ativos está dentro de um cenário formado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) de que os preços de ativos domésticos evoluíram de acordo com a aversão ao risco nos mercados financeiros internacionais, mas, principalmente, refletindo mudanças na percepção de risco da economia brasileira. O documento cita que, após período de relativa estabilidade, a aversão ao risco voltou a crescer no decorrer do trimestre encerrado em agosto. Isso se deu, de acordo com a diretoria do BC em função de vários eventos externos, como o impasse em relação à Grécia e o início das perdas nas bolsas chinesas, incertezas sobre a política cambial chinesa, o ritmo de recuperação da atividade global e o inicio da normalização da política monetária nos Estados Unidos.

“No horizonte relevante para a política monetária, o Comitê avalia que essa aversão ao risco e a volatilidade dos mercados financeiros internacionais tendem a reagir a sinalizações sobre como novos indicadores de atividade serão analisados pelas autoridades, fornecendo indicações adequadas sobre o momento do início do processo de normalização das condições monetárias em grandes blocos, em particular, nos Estados Unidos, minimizando volatilidade e riscos”, escreveram os membros do Copom.