A taxa de inflação para a população de menor poder aquisitivo foi mais alta do que a verificada para a população de maior renda em São Paulo em setembro. De acordo com levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) por meio do Índice do Custo de Vida (ICV), enquanto a variação média do indicador foi de 0,53% no município no mês passado, o indicador específico para os mais pobres registrou taxa positiva de 0,61% e o que engloba o custo de vida dos mais ricos apresentou variação de 0,49%.

Além do ICV geral, o Dieese calcula mensalmente mais três indicadores de inflação, segundo os estratos de renda das famílias da capital paulista. O primeiro grupo corresponde à estrutura de gastos de um terço das famílias mais pobres (com renda média de R$ 377,49); e o segundo contempla os gastos das famílias com nível intermediário de rendimento (renda média de R$ 934,17). Já o terceiro reúne as famílias de maior poder aquisitivo (renda média de R$ 2.792,90).

No primeiro estrato, o ICV de setembro foi 0,44 ponto porcentual superior à variação positiva de 0,17% do mês anterior. No terceiro, de maior renda, a taxa de inflação foi 0,21 ponto superior à de agosto. No grupo intermediário, o ICV passou de 0,24% para 0,59%.

Segundo o Dieese, as diferentes taxas inflacionárias por estrato de renda resultam da forma diversa de como as famílias distribuem seus gastos, que variam de acordo com seu poder aquisitivo e com as variações de preços dos bens e serviços. Em setembro, conforme destaque da instituição, a forte alta de 1,03% do grupo Alimentação no ICV geral teve origem, principalmente, nos produtos in natura e semielaborados, tais como as carnes bovinas e o frango.

Nos cálculos do Dieese, a alta da Alimentação afetou mais as famílias do primeiro e do segundo estratos, com contribuições no cálculo de suas taxas de 0,34 ponto e 0,35 ponto porcentual, respectivamente. Já o impacto na taxa do terceiro estrato foi menor, de 0,25 ponto porcentual.

Outro grupo que mereceu destaque dos técnicos do Dieese foi de Habitação, cuja alta atingiu 0,87% no ICV geral de setembro. De acordo com a instituição, a elevação do grupo teve origem em aumentos ocorridos nas tarifas de água e esgoto, condomínio, impostos e serviços domésticos, que vieram a se refletir no cálculo das taxas por estrato de renda, de forma decrescente com o poder aquisitivo das famílias: 0,24 ponto porcentual para o primeiro; 0,21 ponto para o segundo; e 0,20 ponto porcentual para o terceiro.