Desde que a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) restringiu a movimentação do terminal do porto de Antonina, que desde abril só pode embarcar frigorificados, o Sindicato dos Estivadores local vem relatando sucessivas demissões. Além dos cortes, o comércio já dá sinais de perdas conseqüentes da baixa movimentação do terminal.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Estivadores de Antonina, Aroldo Cezar da Costa, já foram demitidos mais de 30 trabalhadores. Segundo ele, as demissões aconteceram por causa da ociosidade do terminal. “Há três meses não atraca um navio no terminal. Nossos trabalhadores já estão procurando emprego em outros portos”, comenta.

Segundo Costa, a ordem de serviço n.º 008/2008, emitida pela Appa em fevereiro, suspendeu a autorização do Terminal da Ponta do Félix a movimentar cargas como bobinas de papel, ferro e madeira, que respondiam pela maior parte do volume que passava pelo terminal.

A assessoria de comunicação da Appa informou que a ordem de serviço foi criada após a implantação do Corredor de Congelados do Paraná – projeto que reuniu os governos estadual e federal e a iniciativa privada para aumentar a exportação de congelados pelos portos paranaenses.

Para Costa, no entanto, mesmo com a determinação da Appa, seria possível exportar a carga geral via terminal de Antonina, através da própria Appa. Porém, segundo o representante dos estivadores, existe um impasse político que impede o funcionamento do terminal.

“É uma briga do governo do Estado com o terminal. Enquanto o governo federal dá dinheiro para outros portos, nós sofremos com problemas das autoridades”, afirma.

Além das demissões de funcionários ligados diretamente com o terminal, a economia indireta também relata prejuízos. Segundo o diretor financeiro da Associação Comercial, Industrial e Portuária de Antonina (Acipa) Paulo Pacholek, os comerciantes locais já estão sentindo um impacto nas atividades por conta da inatividade do terminal de Antonina.

Pacholek conta que o movimento caiu cerca de 30% nos últimos meses. “Não estamos fazendo compras de final de ano porque estamos com medo de ficar com material encalhado.”

A administração do Terminal da Ponta do Félix foi procurada para confirmar os motivos das demissões, porém o responsável que estaria autorizado a comentar o fato não foi encontrado.