Voluntários limpam silão do Porto de
Paranaguá, sob a coordenação de Eduardo Requião.

Mais de duzentas pessoas, entre estudantes universitários, estagiários do porto e ecologistas, participaram ontem da lavagem simbólica do silo público (silão), que armazenou durante um mês a soja transgênica que seria exportada pelo Porto de Paranaguá. “Estamos arrumando o espaço para dar mais qualidade ao porto. É mais uma página virada com relação à soja transgênica no Paraná”, afirmou o superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião.

A higienização do silão reuniu manifestantes de várias entidades ecológicas. Do Greenpeace vieram ativistas de vários estados brasileiros. Eles desceram de rapel de uma das esteiras do porto e estenderam uma faixa com os dizeres: “Faça como o Paraná. Diga não aos transgênicos”. A assessora da campanha de engenharia genética da entidade, Gabriela Vuolo, disse que o Paraná está dando um exemplo ao implantar uma lei que trata da questão dos transgênicos. “Enquanto não houver certeza sobre os efeitos da transgenia para as pessoas, vamos lutar contra a sua liberação”, disse a ativista.

O engenheiro agrônomo Cláudio Marques, da Rede Ecovida de Agroecologia, que reúne grupos ecológicos dos três Estados do Sul, não só elogiou a posição do governo do Paraná como também disse que já há estudos que colocam em dúvida a biossegurança na adoção dos transgênicos. “Há casos conhecidos no Japão, como o da empresa Showa Denko, que em 98 registrou casos de morte e de intoxicação por causa da soja geneticamente modificada. Na Irlanda, no Instituto Rowett, o mesmo que clonou a ovelha Dolly, os estudos concluíram que as cobaias submetidas a produtos transgênicos tiveram problemas no sistema imunológico.”

A decisão do governo do Paraná contra a transgenia também foi apoiada pelo ambientalista belga Luc Vankrunkelsven, integrante de duas entidades, o grupo Lo Wervel, que defende uma agricultura justa e sustentável, e da Fetraf Sul, ligada à CUT e que congrega 250 mil agricultores. Ele dá palestras em todo o mundo sobre como o mercado se comporta com relação à soja transgênica e garante que a Europa não aceita o produto. “O Paraná deu um importante passo econômico, até porque os americanos já descobriram que depois de alguns anos a soja transgênica não dá mais lucro”, disse.

Preço

Das 62 mil toneladas de soja modificada geneticamente que estavam estocada no porto, 12 mil toneladas ainda não tinham destino certo até ontem em razão da dificuldade de negociação do produto no mercado internacional.

O superintendente dos portos disse que a queda do preço de até U$ 40 dólares por tonelada da soja transgênica impediu que todo o produto estocado já estivesse embarcado.

“Por outro lado, não tivemos dificuldade nenhuma em embarcar 35 mil toneladas de soja convencional no próximo dia 30, facilmente aceita no mercado internacional”, disse Eduardo Requião.

No início de dezembro o corredor de exportação do Porto de Paranaguá fecha para manutenção preventiva dos equipamentos elétricos e mecânicos e reabre para receber a safra do ano que vem. Este ano foram exportadas 6 milhões de toneladas de grãos no porto.