O Porto de Paranaguá está operando apenas com o estoque disponível nos armazéns: cerca de 400 mil toneladas de produtos, volume que, segundo a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), é suficiente para atender a demanda dos navios atracados e programados por mais alguns dias. Desde quarta-feira à tarde, os caminhoneiros estão bloqueando os portões de entrada e saída do Pátio de Triagem. Eles reclamam da falta de pagamento das diárias pelos operadores. Com isso, os vagões passaram a ser o único meio de descarregamento no porto.

Segundo a assessoria de imprensa da Appa, apesar do bloqueio dos caminhoneiros, os embarques ontem, estavam normalizados. Ao todo, 15 navios estão atracados, sendo 13 deles em Paranaguá. Deste total, três estão no Corredor de Exportação. São eles: “Eden Maru”, carregando 50 mil toneladas de farelo de soja, com destino a Roterdan; “Seafarer”, recebendo 60 mil toneladas de soja em grão, com destino a Índia e o “Global Triumph”, que está sendo carregado com 59 mil toneladas de soja em grão e tem como destino a China. Ao largo, 24 embarcações permanecem aguardando para atracar. Deste total, 11 são para carregamento de soja.

Problemas no sistema

Segundo a Appa, das 23h30 de terça-feira até às 2h da manhã de ontem, o sistema de informática utilizado no recebimento de caminhões e vagões no Corredor de Exportação estava paralisado. O sistema voltou ao normal a partir das 2 horas e seguiu normalizado até às 7h. Nestas cinco horas de operação, as moegas do Corredor receberam 64 caminhões e 30 vagões, num total de 3,8 mil toneladas. Depois disso, o recebimento de caminhões no Corredor de Exportação permaneceu parado, em virtude da manifestação dos caminhoneiros.

Desde sábado até a madrugada de ontem, o Corredor de Exportação somou um período de 54 horas e 25 minutos sem carregamentos (não contadas em tempo linear, mas somando as interrupções), em virtude das chuvas que atingiram Paranaguá.

Bloqueio

Os caminhoneiros bloquearam ontem, por volta das 14h15, o km 9 da BR-277, em direção a Paranaguá. Quase uma hora depois, eles concordaram em desbloquear a rodovia. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o bloqueio não chegou a provocar fila de carros de passeio ou de ônibus. Já, a fila de caminhões, passou dos 80 km. Ontem ela terminava no Contorno Sul. Os caminhoneiros pedem o pagamento das diárias pelos operadores. O último acordo feito entre as entidades que representam os caminhoneiros e as empresas previa que a diária contaria a partir da praça do pedágio em São Luiz do Purunã ou na Lapa – depois de 28 horas de tolerância, o pagamento de R$ 0,40 tonelada/hora. O acordo, no entanto, não estaria sendo cumprido. “Eu pelo menos consegui entrar no pátio. E os outros que estão na fila?”, questionou o caminhoneiro Jaílson de Oliveira Rocha, um dos últimos a entrar no Pátio de Triagem, por volta das 16h de quarta-feira. Segundo ele, não há previsão de quando os caminhoneiros vão desbloquear os portões do Pátio de Triagem. Rocha estava com carregamento de soja e ficou quase 40 horas na fila.

O caminhoneiro Gilberto Fernandes estava ontem no km 10 da BR-277. Contou que está desde terça-feira de manhã na fila. “O pagamento das diárias é obrigatório. O problema é que ninguém cumpre”, desabafou. Fernandes carrega soja e vem de Quedas do Iguaçu. O bloqueio não conta com o apoio do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná (Sindicam-PR).

Segundo o superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião, o protesto dos caminhoneiros não ocorreria se houvesse o cumprimento de normas. A fila de caminhões que se formou ao longo da BR-277 – na sua opinião – são resultado principalmente do descumprimento da Ordem de Serviço n.º 20, que prevê, entre outros pontos, a chegada de caminhões ao porto somente com a carga comercializada. “Navios que serão carregados já devem estar nominados (vendidos) para atracar”, explica Eduardo. “É preciso também que seja dada prioridade aos navios maiores”.