Durante a abertura do I Seminário Internacional de Gestão Ambiental Portuária, realizado na segunda-feira (08) em Paranaguá, o governador Roberto Requião disse que o porto é um espaço de resistência diante de uma política neoliberal baseada na privatização e no lucro imediato que avassalou o Brasil.

?Não podemos permitir que o porto vise apenas o lucro da devastação, que seja um porto do imediatismo, um porto privado. É um porto público, como pública são as autoridades portuárias norte-americanas e públicos são os portos japoneses, que dizem que seus segredos são as águas profundas e os portos e ferrovias públicos?, disse Requião.

De acordo com o governador, o Porto de Paranaguá se insere na comunidade, no município e no Brasil. ?É um porto que enxerga mais longe e que, a exemplo de tantos outros portos de países com desenvolvimento econômico bem-sucedido, quer ser um porto público, não um ?porto empresa? para os outros, mas um ?porto empresa? para o Paraná, para Paranaguá e para o Brasil.?

O Seminário, que prossegue até amanhã, é o primeiro realizado no Brasil e deverá gerar uma proposta de gestão ambiental para os portos brasileiros. A escolha do Porto de Paranaguá para sediar o evento se deve ao conceito estabelecido de aliar a expansão econômica com a proteção do meio ambiente. ?A preservação do meio ambiente é importantíssima porque se vincula à cidadania, à qualidade de vida e à garantia dos direitos?, ressaltou o governador.

Referência

Entre os temas em debate estão o gerenciamento de resíduos sólidos, gestão e certificação ambiental portuária, ações de integração com a comunidade, tratamento de efluentes (água de lastro e esgotos) e ações de prevenção e plano de contingência para desastres ambientais.

Além de debates e palestras, no mesmo local do Seminário está sendo promovida uma feira de engenharia portuária. Empresas nacionais e internacionais estão expondo as mais modernas tecnologias nas áreas de prevenção e contenção de danos ambientais, coleta de resíduos de navios e dragagem.

Assoreamento na baía é de apenas seis metros

Nos últimos 30 anos, a Baía de Antonina assoreou 6 metros. A constatação teve por base estudos feitos no relevo, solo, nível de precipitações e desmatamento, principalmente, da mata ciliar. ?O estudo estará pronto em 30 dias. Depois disso, teremos uma série de dados importantes e que revelarão quais procedimentos devem ser adotados em relação ao desenvolvimento da empresa e a preservação do meio ambiente; como, onde e quanto podemos dragar e, ainda, onde podem ser localizadas as áreas de despejo?, disse o diretor do terminal Ponta do Félix, de Antonina, Juarez Moraes e Silva, lembrando que estas áreas, de acordo com informações da pesquisa, podem ficar mais próximas dos locais dragados, reduzindo os custos de operação.

Os estudos realizados por encomenda do Terminal Portuário da Ponta do Félix, em Antonina, indicaram que, no assoreamento das áreas próximas a Antonina, no fundo da bacia de Paranaguá, a presença de metais pesados se refere a elementos da própria natureza, transportados pelos rios da Serra do Mar que deságuam em Antonina. Ao fazer essa revelação, na primeira mesa redonda sobre Sistema de Gestão e Certificação Ambiental Portuária, ontem, durante o seminário internacional Gestão Ambiental Portuária, Juarez Morais, adiantou que os estudos finais ficarão prontos nos próximos dias.

Para ele, se os pareceres forem considerados pelo Ibama na análise do licenciamento ambiental das obras de dragagem dos berços e canais de acesso dos portos de Paranaguá e Antonina, ?poderá haver uma economia considerável de investimentos?, quando da definição do destino do lodo removido do fundo da baía. ?Acreditamos que os sedimentos em Paranaguá tenham a mesma composição dos encontrados em Antonina. Isso pode significar a possibilidade de depositá-lo em áreas de expansão do porto ou próximas, sem necessidade de uma tubulação de 50 quilômetros para jogar em alto-mar, por exemplo, que oneraria muito a dragagem?, afirmou concluiu Juarez Morais.