O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, confirmou no litoral do Paraná que o Porto Dom Pedro II, em Paranaguá, e o Porto Barão de Teffé, em Antonina, serão alguns dos principais pólos exportadores de carnes do Brasil. ?Temos que partir do princípio de que o Brasil responde por mais da metade das exportações mundiais de carne. A expectativa é crescer 20% nas exportações de frango e ter Paranaguá como um novo caminho para os embarques é muito bom para o País?.

Segundo o ministro, 2007 foi um bom ano para a agricultura brasileira e ressaltou que o Paraná atenderá novos mercados, substituindo tradicionais fornecedores, tornado-se ponto de embarque preferencial para exportações de carnes, por exemplo.

?Tivemos um ano bom para a agricultura brasileira. Produzimos mais, vendemos mais e atendemos a uma crescente demanda de consumo. Grãos como soja, milho e trigo tiveram alta, assim como a carne, o leite e seus derivados. Com esse aumento na produção e nas vendas, superamos países como os Estados Unidos, que chegaram ao seu limite e projetamos atender novos mercados para 2008. É com essa perspectiva que os Portos de Paranaguá e de Antonina formarão o novo corredor de congelados do Brasil?, destacou o ministro.

O superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião, também avaliou 2007 como um bom ano para as atividades portuárias. Até o final deste ano, revelou, deverão ser movimentadas (entre importações e exportações) mais de 37 milhões de toneladas e gerados mais de US$ 11 bilhões em Receita Cambial, sendo 15% deste total, arrecadado com a venda de mercadorias congeladas.

?Acreditamos que temos uma chance enorme de mudar a rota dos produtos congelados para o Paraná, principalmente porque somos o maior produtor de frangos do Brasil e precisamos de espaços qualificados para exportar e é isso que iremos proporcionar em 2008, com o apoio do ministro e dos frigoríficos do Paraná?, avaliou Eduardo Requião

Stephanes foi um dos homenageados pelo Terminal Portuário da Ponta do Félix, na noite da última quinta-feira, pelo trabalho feito junto ao governo russo para dar fim ao embargo do país europeu à carne brasileira. Com a retomada das exportações à Rússia, a Ponta do Félix reverteu um quadro de crise que se arrastou por seis meses e teve seu fim em novembro passado. A cidade de Antonina possui cerca de 20 mil habitantes e o prejuízo aos embarques ameaçou o emprego de mil trabalhadores, entre diretos e indiretos.

?O Paraná pagou um preço muito alto pela aftosa no Mato Grosso e pela aftosa que o Paraná não teve. Isso levou a uma série de embargos e um deles foi da Rússia, um dos principais importadores de carne brasileira via Porto de Antonina. A exigência de que as exportações em áreas embargadas só seriam aceitas se fossem em contêineres lacrados não podia ser atendida porque a estrutura da Ponta do Félix não permitia. Fomos à Rússia e recebemos uma comitiva no Brasil. Logo que conheceram Antonina e a Ponta do Félix foram restabelecidas as importações?, afirmou Stephanes.

Resgate da economia

O diretor da Ponta do Félix, José Augusto Desordi da Costa, salientou que o retorno das operações portuárias em Antonina aconteceu também em função do trabalho desenvolvido pelo governador Roberto Requião e pelo empenho do Superintendente Eduardo Requião na revitalização da cidade e da infra-estrutura portuária. Na mesma noite, ambos também foram homenageados.

?Esperamos que em 2008 não tenhamos problemas como os enfrentados com os embargos. A cidade e a população sofrem. Mas felizmente estamos retomando aos poucos as exportações e no próximo ano teremos mais cotas para embarques. O Paraná tem muito a contribuir para a produção de congelados e fazer do Estado um novo eixo para embarques destas mercadorias?, frisou Desordi.

O prefeito de Antonina, Kleber Fonseca disse que com o fim do embargo para a carne brasileira, o porto de Antonina voltou a assumir seu importante papel na economia da cidade. ?Tenho um sentimento de gratidão muito grande aos nossos amigos Ministro Stephanes, Governador Requião e o Superintendente Eduardo Requião. Se o embargo russo permanecesse voltaríamos a uma estagnação que durava anos. Era uma preocupação grande porque prejudicou em mais de 90% as atividades portuárias de Antonina e que acabou graças à boa vontade que existe com o nosso município?, declarou Fonseca.

Corredor de Congelados

A proposta do Superintendente Eduardo Requião de transformar os Portos do Paraná num corredor de congelados fará com que sejam ampliados a infra-estrutura de armazenagem na área portuária e os volumes disponíveis para a exportação. O apoio do ministro Stephanes, segundo Requião, é fator preponderante e é reforçado pelo interesse de empresas do segmento.

A meta do superintendente é incrementar as exportações pelos portos paranaenses, ampliando inicialmente em 50 mil toneladas por mês o embarque de carnes congeladas. E, para atender a essa demanda, a Appa prevê a aplicação de R$ 25 milhões na construção de um complexo público frigorificado com capacidade para 16 mil toneladas. A previsão é que a obra esteja concluída em setembro de 2008.

Para atender a essa demanda, o superintendente Federal no Paraná do Ministério da Agricultura, Pesca e Abastecimento, Daniel Gonçalves Filho, garantiu que as 89 empresas do setor instaladas no Paraná estão reformulando suas estruturas para aumentar suas capacidades de abate ?e mudar o eixo da exportação de carne para o Paraná?, completou.

Além do complexo público que será construído no Porto de Paranaguá, os exportadores de congelados já contam com estruturas privadas, como é o caso da Sadia, que tem um armazém com capacidade para 8,5 mil toneladas, e a Ponta do Félix com 13,5 mil toneladas.