A expectativa de que o Fed (Federal Reserve, BC dos EUA) poderá elevar a sua taxa de juros a partir de agosto deste ano reduz a liquidez para países emergentes como o Brasil e pressiona os indicadores do mercado financeiro local.

No meio da tarde, o dólar comercial, que operou estável por quase toda a manhã, começou a subir, atingindo a máxima de R$ 2,903, com alta de 0,44%, fechando em alta de 0,20%. A Bovespa, que chegou a subir 1,7% pela manhã, reduziu o ritmo de valorização e fechou em alta de 1,33%, aos 22.948 pontos.

Os indicadores da confiança externa no Brasil pioraram. O C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, teve queda de 1,78%, cotado a 96,125% do valor de face e a taxa de risco-País, no fechamento do dólar, subia 2,39%, para 555 pontos após ter recuado quase 1%.

Os EUA divulgaram ontem que a taxa de desemprego cresceu para 5,7% em março. O dado, apesar de negativo, não foi visto de forma tão pessimista por analistas. Segundo eles, o aumento do desemprego pode ter resultado de uma melhora na confiança das pessoas, o que elevou o número de trabalhadores procurando vagas.

Além disso, um outro indicador, mostrou que houve aumento na oferta de postos de trabalho. Foram criados 308 mil vagas em março, quando a estimativa era de 103 mil novas vagas. Outro dado positivo é de que o emprego no setor industrial melhorou.

“Essa notícia dos EUA surpreendeu o mercado e sinaliza que pode haver aumento na taxa de juros do Fed em agosto. Isso diminuiu liquidez para o mercado emergente”, afirmou o gerente de câmbio da corretora Liquidez, Fábio Fender.

A estimativa dos analistas era de que um aumento na taxa de juros dos EUA só viria no final do ano ou, até, a partir de 2005. Atualmente, os juros dos EUA estão em 1% ao ano, o menor dos últimos 45 anos.