Quem precisou abastecer o carro ontem se surpreendeu com o preço dos combustíveis na maioria dos postos em Curitiba. A gasolina teve reajuste médio de até 10% enquanto o preço do álcool chegou a aumentar, em alguns postos, mais de 20% entre a última terça e quarta-feira. O Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis no Paraná (Sindicombustíveis-PR) admite que os novos valores podem ser uma medida para subsidiar os encargos de final de ano do setor.

Na média, o litro da gasolina teve um acréscimo de até R$ 0,20 na maior parte dos estabelecimentos, passando de R$ 2,29 para R$ 2,49. Já o litro do álcool, que podia ser encontrado por R$ 1,29 na manhã de terça-feira, era vendido a R$ 1,59 ontem. O valor do diesel, no entanto, não sofreu alterações nesse período. Apesar de ser evidente na grande maioria dos postos, o aumento não foi unânime, pois ainda havia ontem estabelecimentos praticando os preços do início da semana.

O frentista de um posto no bairro Pilarzinho, que não quis se identificar, conta que o preço do álcool subiu três vezes durante a terça-feira. “O preço do litro mudou ao meio-dia. Antes da meia-noite, as placas indicativas do preço já estavam novamente sendo substituídas”, afirma.

Para justificar o aumento, os gerentes afirmam que trata-se de um repasse dos valores reajustados pelas distribuidoras. Segundo Regiane de Fátima, gerente de um posto no bairro Vista Alegre, os fornecedores, contudo, não teriam argumentado sobre os novos preços. Ela conta que a alta não deve durar muito. “Se o movimento baixar por causa do período de férias, o preço tende a cair também”, afirma.

De acordo com o presidente do Sindicombustíveis-PR, Roberto Fregonese, os preços praticados pelos postos antes dessa nova alta eram reflexo da guerra de preços entre as distribuidoras. Ele explica que os preços dos combustíveis na capital oscilam o tempo todo. “Tivemos mais de dez grandes oscilações neste ano”, diz.

Fregonese admite, no entanto, que a alta de preços pode ser uma medida de provisão para aliviar os caixas dos postos, que ficam com as despesas sobrecarregadas pelos encargos de final de ano. “Dezembro é o mês em que o empresário tem os custos dobrados, como o pagamento do 13.º salário para funcionários”, afirma.

Após a nova alta, Fregonese prevê que o preço dos combustíveis devem se estabilizar em um patamar um pouco mais elevado do que aquilo vinha sendo praticado.

A reportagem de O Estado entrou em contato com a Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Curitiba, do Ministério Público Estadual (MPE). A assessoria de imprensa do MPE informou que realiza verificações semanais a propósito de preços e da qualidade dos combustíveis vendidos na capital, e que, “até então, foram observadas oscilações normais”.

A assessoria do MPE informou que quando constatados abusos, a Promotoria toma as medidas cabíveis, como em 2004, quando propôs ação civil pública em que buscava limitar a margem de lucro com a venda do álcool e da gasolina.