Brasília  – As cadernetas de poupança registraram no mês passado, pela primeira vez neste ano, um volume maior de depósitos em relação aos saques. Os aplicadores depositaram R$ 983,5 milhões em novembro nas cadernetas, que foram ajudadas pelo reforço do 13.º salário pago aos trabalhadores. Nos meses anteriores de 2003, a poupança amargou uma média mensal de saques de R$ 1,325 bilhão.

De acordo com o relatório diário do Banco Central, os rendimentos da poupança no último mês foram de R$ 1,008 bilhão, e com isso o patrimônio total da caderneta subiu de R$ 137,8 bilhões em outubro para R$ 139,8 bilhões. No ano, o volume de recursos está praticamente estável, uma vez que a caderneta tinha R$ 138,9 bilhões no final de 2002.

Assim como as demais aplicações financeiras de mercado, as cadernetas de poupança perderam neste ano recursos para os fundos de investimentos (os FIFs) que utilizam sobretudo os títulos públicos como patrimônio e foram beneficiados com o aumento dos juros para combater a inflação. Mas, com a queda das taxas de juros definidas pelo Banco Central, de 26,5% ao ano em junho para 17,5% ao ano no mês passado, os fundos de investimentos registraram perdas de rendimento.

Ainda assim, os fundos tiveram uma captação líquida em novembro de R$ 3,267 bilhões, atingindo um patrimônio total de R$ 450,2 bilhões em novembro.

Houve uma migração de dinheiro de renda fixa para aplicações mais tradicionais como a poupança e os Certificados de Depósitos Bancários (CDB). Hoje existe um movimento inverso ao ocorrido em 2002, desta vez os recursos estão indo em direção aos fundos de investimento. Os CDBs aumentaram de patrimônio de R$ 128,8 bilhões no fim de 2002 para os atuais R$ 134,4 bilhões, mas, segundo o BC, esse crescimento está totalmente relacionado com os rendimentos.