Vinte anos depois da promulgação da lei nº 8.213/1991, publicada no dia 24 de julho de 1991, a oferta de bons empregos para pessoas portadoras de deficiência ainda deixa a desejar. De cada dez vagas abertas para pessoas com deficiência nas Agências do Trabalhador do Paraná apenas duas são preenchidas. A lei de 1991 obriga as empresas com cem ou mais empregados a preencher de 2% a 5% dos seus cargos com portadores de deficiência.

De janeiro a maio deste ano, foram abertas 4.265 vagas em todo o Estado, que resultaram em 923 contratações. Dessas, mais da metade está concentrada em Curitiba e Região Metropolitana. Mais do que as vagas, é difícil encontrar um emprego com salário razoável.

Enquanto diversos dos empregos ofertados continuam com salários estagnados, o grau de escolaridade das pessoas com deficiência melhorou nos últimos 20 anos. “Hoje é mito dizer que pessoas com deficiência não têm qualificação”, afirma o coordenador do Programa de Apoio à Pessoa com Deficiência da Secretaria Estadual do Trabalho e Emprego, José Simão Stczaukoski.

Dos paranaenses com deficiência que começam a trabalhar pela lei de cotas e entram na cadeia produtiva, aproximadamente 30% integram um quadro considerado inferior entre os funcionários e não possuem um plano de progressão de carreira. “Essa pessoa não pode ser medida pela deficiência, mas pela eficiência dela. Muitas vezes o deficiente é visto como se estivesse invadindo um espaço, alguém que está na empresa apenas por causa da força da lei. Ainda há dificuldades como as enfrentadas pelas mulheres na década de 1960, quando elas faziam serviços como somente limpar chão”, compara Stczaukoski.

Marcos Borges/O Estado
Carolina: “oportunidades que aparecem costumam ser de um nível muito baixo”.

Portadora de deficiência auditiva, Carolina de Pontes Bicudo confirma as dificuldades na hora de conseguir um bom emprego. “As oportunidades que aparecem costumam ser de um nível muito baixo”, relata.

As vagas também precisam ser adaptadas às limitações de cada um, o que nem sempre acontece. “Eu, como deficiente auditiva leve, tenho dificuldade em algumas coisas. Por eu ter uma boa fala, muitas pessoas acham que isso é mentira e não acreditam que eu tenho deficiência, pensam que é preguiça ou falta de vontade de trabalhar. Tive problemas em um antigo trabalho, pois me colocaram como telefonista e isso me prejudicou muito”, relata Carolina.

Hoje satisfeita trabalhando como auxiliar de crédito, Carolina lembra que não foi sempre assim. Na empresa anterior, pela qual foi contratada como auxiliar administrativa, ela reclama da falta de oportunidades para crescimento, embora recebesse um salário considerado bom. “Trabalhei por quatro anos na mesma empresa, dos quais três anos na mesma área. Fiquei um ano na luta de mudança de área e oportunidade de carreira, mas não consegui nada. Quero sempre estar aprendendo, então eu me demiti. Senti que eu era só mais uma garota pra cumprir cota e não fazia diferença o que eu fizesse lá. Isso desanima muito”, desabafa.

Indicadores da Rais 2010

Do total de trabalhadores com deficiência registrados em 2010, o Relatório Anual de Informações Sociais (Rais), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em maio, mostra a predominância dos classificados com deficiência física (54,47%). Em seguida aparecem os deficientes auditivos (22,49%), visuais (5,79%), mentais (5,10%) e com deficiências múltiplas (1,26%).

Na média nacional do levantamento, a remuneração para um deficiente físico gira em torno dos R$ 2.025,96. Pessoas com deficiência auditiva aparecem com salário médio de R$ 1.925,67, as com deficiência visual com R$ 1,768,54 e pessoas com deficiências mentais com R$ 772,20. Já o salário médio oferecido a pessoas com deficiências múltiplas fica em torno de R$ 1.376,38.

No Paraná, 5,53% das pessoas com emprego formal possuem algum tipo de deficiência, de acordo com a Rais. O índice está abaixo da média nacional, que no ano passado foi de 6,94%.

Leia mais

Empresários alegam que faltam profissionais capacitados