Não é só o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que não vê com bons olhos os prazos excessivamente longos para financiar a aquisição de um carro. Financeiras e revendedores estão desestimulando o parcelamento além de 60 meses (cinco anos), em parte para evitar riscos de inadimplência e também porque não há adesão significativa do consumidor aos planos acima de sete anos (84 meses).

"Estamos desestimulando as prestações mais longas, que vão além dos 60 meses", afirma Dirceu Variz, diretor da Finasa, uma das maiores financeiras do País, pertencente ao Bradesco. Segundo ele, planos de 72 a 84 meses são oferecidos só em casos específicos, e para carros novos, decisão tomada antes mesmo da declaração de Mantega no início da semana. O ministro chegou a cogitar a possibilidade de o governo limitar os financiamentos a no máximo 36 meses, mas depois voltou atrás.

Luciano Ruiz, gerente da Granleste Veículos, concessionária que mantém estande em um feirão permanente aberto ontem na zona leste de São Paulo, afirma que a redução nos prazos permite selecionar melhor o perfil do cliente. "É a melhor forma de minimizar o risco de inadimplência." A loja trabalha com prazos que variam entre 48 e 60 meses, com juros de 1% ao mês. Para Ruiz, é por causa da facilidade do crediário que o mercado de automóveis está aquecido.