Os preços de referência de energia elétrica no mercado atacadista subiram para R$ 473,30 por MWh para os negócios a serem realizados esta semana, conforme dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Esse patamar representa aumento de 91,61% em relação ao vigente na semana passada e é o mais elevado desde o final do racionamento de energia, em junho de 2002.

A explosão nos preços reflete a falta de chuvas neste início de ano, que se segue a três meses de seca no final do ano passado. Com a falta de chuvas, os reservatórios das hidrelétricas estão perdendo água/energia, o que pressiona os preços no atacado. Atualmente, cerca de metade de toda a energia consumida pelo setor industrial no Brasil é no mercado livre, que sofre impacto dos preços no atacado.

Pelos dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), as chuvas na primeira semana de janeiro ficaram 53% abaixo da média histórica dos últimos 76 anos na região Sudeste/Centro-Oeste e em torno de 50% na região Nordeste. É um dos níveis mais secos dos últimos anos.

O panorama atual é radicalmente diferente em relação ao observado nos últimos cinco anos, em que houve excesso de chuvas e os reservatórios das hidrelétricas estavam cheios, o que se refletia nos preços no atacado. Na primeira semana do ano passado, por exemplo, os preços da CCEE estavam em R$ 28,16 por MWh na região Sudeste e em R$ 17,59 no Nordeste. Em 2006, a situação era ainda mais tranqüila, com os preços estabelecidos em R$ 16,92 por MWh, que é o piso do "preço da água", fixado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).