Rio – O consumidor pode desistir de esperar que a Petrobras reduza o preço da gasolina e deve começar a torcer para que ela não o aumente. A elevação do dólar e das cotações internacionais do petróleo e da gasolina nas últimas semanas reverteu o quadro e, atualmente, a diferença com o mercado externo já justifica até elevação do preço do combustível.

Especialistas calculam entre 5% e 6,5% a diferença entre o preço interno da gasolina e o cobrado no mercado externo. “O aumento sazonal da demanda internacional tem pressionado as cotações, o que implicaria um espaço para elevação de 6,45% dos preços internos na refinaria neste mês”, analisa a consultora Fabiana Fantoni, da Tendências.

Por aumento sazonal da demanda entenda-se o verão norte-americano, quando o consumo de gasolina cresce naquele país em razão das viagens de férias. O consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), calcula que a gasolina no Brasil está custando 5% a menos do que sua cotação internacional – em virtude também do aumento do consumo puxado pela China sem elevação da produção pelos países produtores -, o que justificaria um reajuste.

Nenhum dos entrevistados, porém, apostaria em aumento no preço nos próximos dias. “Apesar de existir uma defasagem dos preços internos em relação aos preços internacionais, existem muitas incertezas em torno de qual deverá ser a posição do governo e da Petrobras”, diz Fabiana. Mas também não acreditam em redução do preço, como se cogitou nos últimos meses.

No dia 30 de junho, a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, disse, em reunião com empresários mineiros, que o preço seria reduzido, mas o governo mudou de idéia depois da deflagração de uma greve na Nigéria que teve impacto nas cotações internacionais. Na época, o dólar estava em R$ 2,83 e o petróleo brent, em US$ 27,91 por barril. Ontem, a moeda americana se manteve em torno dos R$ 3 e o brent fechou o dia em US$ 28,83.

Diesel

O preço do diesel, porém, continua acima da cotação internacional, com espaço para uma redução de 9% a 10%. Este combustível tem seu movimento de alta acentuado no fim do ano, no início do inverno no Hemisfério Norte. A consultora da Tendências acrescenta o gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, à lista dos produtos que poderiam ter seu preço reduzido. Segundo ela, há espaço para uma queda de cerca de 23%.

Na opinião de Pires, se houver alta do preço da gasolina agora, ela estará relacionada a questões tributárias. “O governo prometeu 25% da Cide (o imposto sobre os combustíveis) para os Estados e, para não perder arrecadação, pode vir a aumentar a alíquota”, aponta.