A redução dos custos do transporte no Brasil foi tema de um encontro ontem em Curitiba, promovido pela Estrada de Ferro Paraná Oeste (Ferroeste), empresa ligada à Secretaria de Estado dos Transportes e que faz parte de um movimento nacional que trata sobre o assunto.

O engenheiro Paulo Vivácqua, presidente do Comitê de Transportes da Academia Nacional de Engenharia, comentou sobre a necessidade dos gastos com o deslocamento das cargas dentro do País.

De acordo com Vivácqua, o Brasil precisa chegar a um equilíbrio no uso de diferentes modais de transporte, como acontece em outras nações com dimensões continentais. Isto reduziria o custo com transportes para as empresas, especialmente aquelas que estão no interior do País.

“O agronegócio brasileiro, uma indústria tão importante para o Brasil e para o mundo, caminha para o oeste. São 170 milhões de hectares, fora a Amazônia, que ainda podem ser cultivados. Haverá uma força mundial para isto. A comida e parte do combustível daqui a alguns anos virá do Brasil. Hoje, a agroindústria paga no transporte o mesmo que os agricultores canadenses, americanos, russos e chineses. São custos exorbitantes”, explica.

Para o engenheiro, o caminho para a redução dos custos está na organização de um movimento forte interno, que pressione o governo para separar mais recursos do orçamento para o transporte. As verbas devem ser aplicadas em ferrovias, portes e ligação entre os oceanos Pacífico e Atlântico.

“Também precisamos de uma legislação que veja o transporte realmente como um meio. Aí, todos ganhariam. Estima-se que o Brasil poderia crescer mais 1,5% ao ano do que hoje cresce, somente com esta revisão no transporte. Mas, em vez disso, temos um modelo arcaico”, avalia.

O diretor presidente da Ferroeste, Samuel Gomes, explica que o movimento nacional está acompanhando o surgimento da Frente Parlamentar de Logística Transporte e Armazenagem no Congresso Nacional para discutir a necessidade da redução dos custos do transporte no País. Segundo Gomes, é necessário pensar em um novo modelo brasileiro, que possa gerar diminuição nos gastos, eficiência e acesso às ferrovias e portos.

“Existe um estudo que indica que, se acontecer a diminuição em 10% das tarifas de importação, haverá um crescimento 1,9% nas exportações brasileiras. Se o custo com transporte for reduzido em 10%, isto geraria um aumento de 40% nas exportações”, indica.