Pressionada pelos aumentos dos combustíveis, a cesta de serviços públicos para uma família curitibana aumentou 4,79% em novembro. Com essa variação, novamente os preços administrados subiram mais que a inflação da Região Metropolitana de Curitiba, de 3,02% segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). No ano, os preços públicos subiram 14,51% para o curitibano, enquanto a inflação foi de 10,22%. Nos últimos doze meses, os preços administrados aumentaram 14,49% e o IPCA acumulou 10,93%.

De acordo com o levantamento mensal feito pelo Senge/PR (Sindicato dos Engenheiros do Paraná) e Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), a cesta de serviços públicos custou R$ 371,04, contra R$ 354,07 em outubro. Em dezembro do ano passado, o custo era R$ 324,02.

Três dos nove itens que compõem a cesta tiveram aumento de preço no mês passado. O bujão de 13 quilos de gás de cozinha teve variação de 16,08%, passando de R$ 23,48 para R$ 27,25. A tarifa de ônibus subiu 7,14%, de R$ 1,40 para R$ 1,50. O litro da gasolina custou em média R$ 1,911 – alta de 9,45% em relação à média de outubro (R$ 1,746). Também houve majoração no álcool (26,99%) e no diesel (17,23%), que não entram no cálculo da cesta. O valor médio do litro do álcool passou de R$ 0,956 para R$ 1,214. Já o litro do diesel saltou da média de R$ 1,068 para R$ 1,252.

Em dezembro, os técnicos do Dieese projetam uma variação menor nos preços públicos. Na primeira semana, houve queda de 0,99% no preço da gasolina (para R$ 1,89), mas alta de 19,57% na corrida de táxi (por causa da bandeira dois, estabelecida em lei municipal como o “décimo terceiro” dos taxistas) e 7,89% no gás (que passou para R$ 29,40). Somente com esses itens, a cesta de serviços públicos acumula elevação de 1,34%.

Como desde o último sábado entrou em vigor o reajuste de 8,4% nas tarifas de água e esgoto da Sanepar, a cesta já subiu 1,87% neste início de mês. “Não estamos considerando o pedágio (cujo reajuste contratual estava previsto para primeiro de dezembro) e na gasolina, a tendência é baixar mais”, comentou o presidente do Senge/PR, Rasca Rodrigues. A cesta deve fechar o ano com incremento ao redor de 16%, estima o economista Cid Cordeiro, supervisor técnico do Dieese.

Vilões do real

Desde o início do Plano Real os preços administrados subiram 238,6%. Em julho de 94, a cesta custava R$ 109,58. A assinatura de telefone residencial acrescida de 250 pulsos teve o maior aumento no período (576,11%), saltando de R$ 8,11 para R$ 54,83. O gás de cozinha, que custava R$ 5,32, teve incremento de 412,22%. O litro da gasolina, vendido na época por R$ 0,539 encareceu 254,55%. A passagem de ônibus, que era R$ 0,40 em julho de 94, ficou 275% mais cara. A mesma variação ocorreu nos Correios. A carta simples saltou de R$ 0,12 para R$ 0,45. “Os números comprovam que o peso das tarifas públicas era 16% em julho de 94 e atualmente representa em torno de 30% dos orçamentos das famílias”, destacou o economista Sandro Silva, do Dieese, citando dados do IBGE.