A crise no Brasil e a forte desvalorização do real em relação ao dólar aumentaram substancialmente as buscas de empresas e investidores por oportunidades de fusões e aquisições, mas isso poderá não se refletir em um aumento do número de negócios fechados este ano. A percepção dos gestores é que os preços dos ativos não estão ajustados o suficiente para refletir a situação brasileira e a falta de visibilidade sobre a economia do País para os próximos anos e eles dizem que maioria dos negócios está parada.

“Há muita gente querendo fazer negócio, mas as incertezas estão dificultando na hora de os fundos estruturarem o planejamento do investimento no atual cenário”, disse o sócio da Pátria Investimentos, Ricardo Scavazza, durante o Forum Brasil de Fusões e Aquisições e Private Equity 2015, que acontece em São Paulo.

“É preciso ser muito seletivo, encontrar boas empresas, casos diferenciais e conseguir embutir todo esse cenário no valuation”, destaca Scavazza. Segundo ele, no entanto, o ajuste de preços no mercado privado é mais lento e muitas vezes não se consegue fechar um valuation que reflita o cenário do Brasil hoje. “Vai haver negócios, mas um número de transações menor, apesar da demanda forte do mercado”, disse.

Setores

O presidente da Carlyle no Brasil, Fernando Borges, acrescentou que esse ambiente levará os fundos a olhar setores onde se tem maior experiência, já que a partir de agora será necessário que se agregue mais valor às empresas para se conseguir gerar retorno. “Precisará haver ganho de eficiência, não posso contar com a receita crescendo muito”, disse. Scavazza, do Pátria, completa que os fundos terão que garantir mais performance na gestão do que no cenário macroeconômico.

Borges afirmou ainda que há hoje no mercado brasileiro um leque muito maior de ativos disponíveis e que o poder está nas mãos do comprador, que fica com maior força de barganha no momento da negociação.

“Ninguém esperava que o cenário fosse ficar tão ruim, com o mercado de capitais praticamente fechado. Há muito vendedor e estamos vendo ativos muito bons, de excelente qualidade, que em situações normais nunca falariam com um private equity”, disse.

O presidente da gestora ressaltou que a cautela por parte do investidor é grande, mas hoje, na sua visão, está mais atrativo entrar no Brasil do que era há dois anos. Neste ano o Carlyle comprou uma fatia da Rede D’Or, marcando o primeiro investimento estrangeiro no segmento da saúde no Brasil, após mudança na legislação. “Mas as captações estão muito mais difíceis, já que esbarram nas questões macro no Brasil”, disse.