Os preços dos medicamentos podem sofrer um novo reajuste a partir de 31 de março. Isto porque o reajuste anual dos preços dos medicamentos foi autorizado conforme resolução da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), publicada no último dia 25 no Diário Oficial da União.

A resolução determina à CMED editar uma resolução específica sobre a forma de definição do Preço Fabricante e do Preço Máximo ao Consumidor conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Neste caso, os reajustes podem impactar significativamente no bolso do consumidor, já que a estimativa do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócioeconômicos (Dieese) é de que o índice varie 0,48% em fevereiro. Caso esta previsão se confirme, o IPCA deve fechar o período de 12 meses com variação de 5,83%.

De acordo com o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), os custos com medicamentos representam uma fatia de 3,51% no bolso do consumidor. Contudo para o Conselho Refional de Farmácia do Paraná (CRF-PR), a média de reajuste pode ser superior a este índice.

Para o presidente do Conselho Regional de Farmácia do Paraná, aulo Roberto Diniz, é esperado um reajuste médio de 6%. “O consumidor vai sentir um pouco, principalmente aquele consumidor que faz uso de medicamentos contínuos, que ele não pode deixar de comprar”, afirma.

Por outro lado, Diniz acredita que uma outra resolução emitida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que segundo ele deve passar a vigorar em junho, deve contribuir para a diminuição dos preços dos remédios. Segundo Diniz, a intenção é proibir a propaganda de medicamentos.

Diniz também alerta para outro fator que pode oscilar o preço dos remédios. Ele explica que em junho pode haver uma substituição tributária que deve obrigar os estabelecimentos a arcar com uma contribuição ainda maior da carga de ICMS, ora dividida com os laboratórios.

Segundo ele, isto pode fazer com que o desconto que é ofertado em cada produto se limite a 8%. Para o gerente da Farmácia Minerva, Bruno Mesquita, uma saída é continuar investindo na venda de itens de perfumaria.

Segundo ele, a intenção é de que os itens de perfumaria correspondam à 40% do faturamento da farmácia, o que pode desonerar dos medicamentos a responsabilidade pela vialibidade do negócio.

Mesquita não se mantém otimista com a possibilidade de reajuste. “Com certeza vai haver um impacto tanto para o consumidor quanto para o nosso volume de vendas”, afirma. “Já estamos enfrentando uma crise generalizada. Por isso é preciso ter cuidado para não desequilibrar ainda mais a economia dos setores”, diz.

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