Com queda de 1,21% em maio, os preços públicos recuaram mais que a inflação em Curitiba, de -0,29% pelo IPCA/IBGE. Segundo a pesquisa de serviços públicos divulgada ontem pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) e Senge/PR (Sindicato dos Engenheiros do Paraná), a queda foi motivada pela redução de preço no gás de cozinha e nos combustíveis.

De janeiro a maio de 2002, os preços administrados tiveram variação de 3,56% na capital paranaense, para inflação de 2,51%. No acumulado dos últimos doze meses, os preços controlados pelo governo subiram 17,78%, enquanto o IPCA de Curitiba totalizou 8,21%. Para uma família curitibana, o custo médio dos serviços públicos com preços administrados por contrato e monitorados foi de R$ 335,56 em maio.

Variações

A maior redução (-8,10%) ocorreu no gás de cozinha. O botijão de 13 quilos, que custava R$ 27,73 no mês anterior, caiu para R$ 25,48. No ano, o gás de cozinha já aumentou 16,72%. Nos últimos doze meses, a alta é de 49,88% – a maior entre os itens pesquisados. Também ocorreram quedas na gasolina (-2,83%) e álcool (-1,45%). O diesel teve pequeno aumento, de 1,80%. O litro da gasolina passou de R$ 1,663 em abril para R$ 1,616 em Curitiba, que teve o menor preço entre 23 cidades paranaenses pesquisadas pela ANP, ficando em 13.o lugar entre 16 capitais brasileiras.

“Apesar do resultado de maio ter sido bom, não é grande vantagem, porque para junho as perspectivas são ruins”, destaca o presidente em exercício do Senge/PR, Luiz Carlos Correa Soares. “Como os preços administrados pesam 20% na inflação, trouxeram os índices para baixo em maio, mas em junho serão anunciados os aumentos de energia elétrica, estimado em 14%, e da telefonia fixa, que deve ficar em torno de 8%”, explica o economista Cid Cordeiro, supervisor técnico do Dieese.

Pelos cálculos do Dieese, somente a energia elétrica e a telefonia fixa devem colaborar com 0,80 ponto percentual no índice de inflação de julho, que pode ficar menor caso os alimentos continuem apresentando diminuição. Apesar desses itens não afetarem o comportamento dos preços no mês inteiro de junho (porque estão programados para o final do mês), este mês não repetirá o desempenho de maio. “Já se observam pressões de preço da gasolina e do gás de cozinha, com a retirada de promoções dos postos e distribuidoras”, cita Cordeiro.

Conforme dados da ANP, o litro de gasolina, vendido em média a R$ 1,62 na última semana de maio, voltou para R$ 1,65 na primeira semana de junho, quando o bujão de 13 quilos de gás de cozinha saltou para R$ 28,10 – aumento superior a 10% . Se esses valores se mantiverem, significarão elevações de 10,28% no gás de cozinha e 2,29% na gasolina neste mês.

Em relação à telefonia fixa, o presidente do Senge/PR chama a atenção da população para a elevação dos valores da assinatura básica. Em um ano, houve majoração de 21,35 %. O serviço passou de R$ 19,77 para R$ 23,99. “Um aumento dessa natureza inviabiliza o uso do telefone por milhares de pessoas. Por isso, a inadimplência é brutal no setor”, comenta Soares. “Para as telefônicas, é bem mais interessante aumentar a assinatura básica que os pulsos, pois o risco de inadimplência é menor”.

Orçamento familiar

“Em um ano, houve queda de 10% na renda das famílias e aumento de quase 18% nos preços administrados, causando desarranjo no orçamento das famílias”, observa Cordeiro. Os preços administrados representam 20,8% do IPCA, enquanto os alimentos e bebidas comprometem 23% da renda.