Cleber França/O Diário do Norte do PR

 Suspeita de aftosa no rebanho continua causando problemas.

Os produtores de carne do Paraná enfrentam sérias dificuldades há quase quatro meses por causa das suspeitas de febre aftosa no rebanho do Estado. De acordo com levantamento do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne), desde outubro, eles acumulam um prejuízo de R$ 5 milhões por dia.

Economista do sindicato, Gustavo Fanaya diz que o prejuízo total dos frigoríficos já chega a R$ 300 milhões.

Na opinião de Fanaya, a existência de seis novos focos da doença no Paraná, anunciados pelo Ministério da Agricultura esta semana, não vai alterar a situação dos pecuaristas, classificada como a ?pior possível?. ?Hoje, o gado que está no pasto é sadio. A questão toda foi há quatro meses atrás, quando os animais apresentavam algum tipo de sintoma, o que realmente aconteceu. O problema é a desconfiança que ainda existe entre importadores e a comunidade científica internacional?, aponta Fanaya.

Para ele, não adianta acusar o Ministério da Agricultura de ter demorado na análise das amostras e isolar o vírus após notificação por parte do governo paranaense. O que o sindicato recomenda, agora, é o abate imediato das 6.295 cabeças de gado confinadas nas fazendas onde o ministério descobriu focos de aftosa. Com isso, seria possível evitar maiores prejuízos.

A febre aftosa é causada por variedades de vírus que debilitam o rebanho. Os animais perdem o apetite, diminuem a produção de leite e ficam vulneráveis a diversos tipos de doença. Não existe registro de prejuízo à saúde humana em decorrência do consumo da carne de animais contaminados. No entanto, muitos países proíbem a importação de carne das regiões com aftosa por receio de contaminação do rebanho local.

Criadores indefinidos sobre procedimentos a adotar

A portas fechadas. Foi assim a reunião dos proprietários das seis fazendas decretadas como focos de febre aftosa pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), ontem, no Centro Universitário de Maringá (Cesumar). A expectativa era que os participantes chegassem a um acordo sobre as medidas que devem tomar – ingressar com uma ação na Justiça ou aceitar o sacrifício, conforme proposto pelo governo federal. Até o início da noite, porém, a reunião – que teria começado por volta das 11h, segundo a assessoria de imprensa do Cesumar – não havia terminado e nenhum dos participantes falou com a reportagem.

Além dos pecuaristas, o encontro contou ainda com a participação do advogado Ricardo Jorge Rocha Pereira, que representa a Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira; a Fazenda Bonanza, localizada no Mato Grosso do Sul e a Fazenda Santa Izabel, em Grandes Rios, além do Cesumar. Também o diretor-geral da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), Newton Pohl Ribas, participou do encontro.

A confirmação dos novos focos de aftosa no Estado ocorreu na última segunda-feira, através de uma nota divulgada no site do Mapa. As seis fazendas – Pedra Preta e Cesumar, em Maringá; Alto Alegre e São Paulo, em Loanda; Santa Izabel, em Grandes Rios, e Flor do Café, em Bela Vista do Paraíso – têm cerca de 4,5 mil animais, e a recomendação do ministério é que seja feito o sacrifício sanitário o quanto antes.

Fazenda Cachoeira

Não bastassem as pendências judiciais, um outro obstáculo pode protelar o sacrifício sanitário dos 1.795 animais da Fazenda Cachoeira. Conforme matéria publicada ontem em jornal de circulação nacional, o governador Roberto Requião estaria se recusando a liberar verbas, equipamentos e pessoal para abrir as valas, onde os animais deverão ser enterrados. De acordo com o superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná, Valmir Kowalewski, as despesas do sacrifício devem ser arcadas pelo Estado.

Ontem, a assessoria de imprensa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) negou que o governo do Estado esteja se recusando a bancar as despesas. Segundo a assessoria, a sugestão do vice-governador e secretário Orlando Pessuti seria de que o Fundo de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Fundepec-PR) arcasse com as despesas para agilizar o sacrifício, mas depois o fundo seria ressarcido. ?Através do governo, tudo é mais difícil. Teria que haver licitação para definir a empresa que faria o trabalho, uma carta-convite?, explicou a assessoria. A despesa do sacrifício, só na Fazenda Cachoeira, é estimada em aproximadamente R$ 300 mil.

Uma fonte ligada ao Fundepec-PR afirmou que é ?perfeitamente possível? utilizar o dinheiro do fundo para esta finalidade e depois ser ressarcido. ?Seria uma espécie de empréstimo, uma cessão provisória para o Estado fazer frente a uma situação emergencial?, explicou. (Lyrian Saiki)