Foi encerrado ontem, XV Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas, que trouxe ao Estação Embratel Convention Center, em Curitiba, representantes de quase todas as 300 incubadoras do País. Uma solenidade de entrega do Prêmio Anprotec 2005, consagrando os produtos mais inovadores e as incubadoras que mais fomentam a cultura do empreendedorismo, fechou o evento da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec). ?O brasileiro precisa aprender a empreender para deixar de ser apenas um empregado. É isso que gera emprego, renda e impostos para o País?, afirma o vice-presidente da Anprotec, o professor Guilherme Ary Plonski.

Na categoria Melhor Empresa Incubada, foi premiada a Agriness, de Florianópolis, incubada no Centro Empresarial para Laboração de Empreendimentos Tecnológicos (Celta). Seu produto inovador é um software que permite otimizar a produção de suínos. A melhor empresa já graduada, ou seja, que saiu de uma incubadora, foi a Trilha Desenvolvimento de Projetos, que desenvolve softwares de simulação para linhas de produção industrial.

Na categoria Desenvolvimento Local e Setorial a premiada foi a Incubadora de Botucatu, gerida pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. O destaque foi a geração de mais de 200 empregos diretos e o surgimento de produtos socialmente corretos como um pulverizador inédito para o controle de ervas daninhas de precisão localizada.

Nas categorias de Promoção da Cultura do Empreendedorismo Inovador e Uso Intensivo de Tecnologias venceu o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), sediado na cidade de Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais. O Pólo Tecnológico em que está inserido emprega 35% da população economicamente ativa da cidade. A escolha se deve à integração que promove entre governo, empresariado e instituições de ensino.

O seminário deste ano marcou uma reorientação no movimento de incubadoras. ?O segredo não é mais criar produtos inovadores, e sim integrar as incubadoras do País em rede nacional, de forma a promover ao máximo o empreendedorismo e levá-lo a regiões carentes?, acredita Silvestre Labiak, diretor da Rede Paranaense de Incubadoras e Parques Tecnológicos (Reparte).

Alguns resultados do evento: a criação do Tecnoparque, que integra entidades promotoras de desenvolvimento e empreendedorismo em Curitiba; a assinatura de um convênio da Anprotec com a Frente Nacional de Prefeitos, que permitirá levar as incubadoras para mais municípios e um convênio entre a Universidade Federal de Alagoas e o Cientec (Fundação de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul), que permitirá a troca de conhecimento acadêmico da primeira, orientado em grande parte para a recuperação de renda em bolsões de pobreza, por estrutura tecnológica e laboratorial da segunda.

A cidade de Salvador foi eleita a sede do XVI Seminário para 2006.

Sobre as incubadoras

Uma incubadora funciona como um instrumento de apoio ao surgimento e fortalecimento de novas empresas. É um ambiente planejado para acolher micro e pequenas empresas inovadoras que estão começando a surgir. Funcionam em um espaço físico limitado, dividido em módulos. As empresas em gestão nas incubadoras são classificadas como incubadas ou residentes. Elas têm, em média, 3 anos para deixar o ambiente comum e partir para competição de mercado. A partir de então são classificadas como graduadas.

Existem três tipos de incubadoras no Brasil: as que abrigam preferencialmente empresas de base tecnológica, as de empresas de setores tradicionais e as mistas, que reúne os dois tipos anteriores.