Brasília – O ex-representante de Comércio dos Estados Unidos Robert Zoellick é o novo presidente do Banco Mundial. O nome dele foi indicado em maio pelo presidente norte-americano, George W. Bush, e referendado nesta segunda-feira (25), por unanimidade, pelos diretores-executivos da instituição. Zoellick era o único candidato ao cargo. Ele tomará posse no dia 1º de julho no lugar de Paul Wolfowitz, que renunciou ao cargo devido a acusações de nepotismo. Zoellick poderá comandar o Banco Mundial por cinco anos.

Em declaração divulgada logo após a eleição, o novo presidente disse estar ansioso para encontrar as pessoas que comandam a agenda de superação da pobreza em todas as regiões, com particular atenção à África. Zoellick também defendeu reformas na sexagenária instituição financeira, concebido pelos Estados Unidos e pela Inglaterra em 1944, simultaneamente à criação do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Organização Mundial do Comércio (OMC, na época chamada de Organização Internacional do Comércio).

As chamadas instituições de Bretton Woods formariam o tripé do sistema econômico multilateral. ?O mundo mudou enormemente desde a criação do banco, há cerca de 60 anos. Esta instituição não apenas precisa se adaptar: deve guiar o caminho para a globalização sustentável, fundamentada em crescimento inclusivo, oportunidades e respeito à dignidade pessoal?, afirmou Robert Zoellick..

Na última semana, ainda como candidato ao cargo, Zoellick esteve no Brasil e encontrou-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, Em separado, teve audiências com o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, e com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Zoellick também conversou com dois ex-ministros do governo de Fernando Henrique Cardoso: o ex-chanceler Celso Lafer e o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan.

O Brasil foi a última parada de uma viagem de duas semanas de Zoellick pela África, Europa e América Latina. O périplo visava promover a sua candidatura à frente do banco Mundial e buscar informações sobre os desafios e necessidades de diferentes regiões. Zoellick esteve em Gana, Etiópia, África do Sul, Grã-Bretanha, França, Bélgica, Alemanha, Noruega, México e Brasil. Em todos os países, reuniu-se com altos funcionários governamentais, especialistas em desenvolvimento e representantes de ONGs.

Segundo nota divulgada pelo Banco Mundial, na avaliação da diretoria, Zoellick levará para a presidência forte liderança e qualidades gerenciais. Como representante de Comércio norte-americano, Zoellick foi o principal negociador dos Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio entre 2001 e 2005. Atualmente, é vice-presidente do grupo Goldman Sachs, banco internacional de investimentos.