Apesar de facilitar a gestão dos dois primeiros anos do próximo governo, dando mais folga para a política monetária, a decisão do governo de alterar as metas de inflação para 2003 e 2004 não foi unanimidade entre os candidatos à Presidência da República. Enquanto José Serra, do PSDB, e Anthony Garotinho, do PSB, elogiaram a medida, o candidato da frente trabalhista (PPS, PTB e PDT), Ciro Gomes, fez duras críticas à decisão, não poupando críticas ao candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que seria a favor das mudanças.

O candidato tucano elogiou a decisão do governo de alterar as metas de inflação, dizendo ser uma medida ponderada e de bom senso. ?O reajustamento é razoável porque, com a pressão maior sobre o dólar, é natural que a inflação se mova um pouco?  afirmou Serra, que estava em campanha em Salvador, onde foi prestigiar a convenção conjunta do PMDB e PSDB.

Em seguida, porém, fez questão de lembrar: ?Estamos falando em 4% de inflação anual; já tivemos 20% ao mês, mas agora estamos em outro mundo: o da estabilidade.?

Garotinho disse que apóia a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN), se houver realmente o interesse de cumpri-la. ?Porque, até agora, o que ocorre é que o Conselho Monetário Nacional estabelece metas e depois tem de dar explicações à opinião pública porque não foram cumpridas?, afirmou. Ele disse que compreende a necessidade de definição de metas de inflação, mas acrescentou que, em um eventual governo seu, ?há metas que serão mantidas e outras que serão alteradas?.

Após o debate na Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), o candidato Ciro Gomes definiu o sistema de metas de inflação como ?um método ruinoso para o Brasil?. Ele disse que não tem compromisso nenhum com a fixação destas metas. Ele criticou, também o candidato petista por ter concordado com a manutenção de algumas das metas econômicas propostas pelo atual governo. Ciro disse que ficou decepcionado com a traição de Lula.