O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, voltou ao grande tema da flexibilidade no câmbio neste sábado, pedindo providências para colocar a economia mundial em um modo sustentável. Trichet afirmou na Conferência de Política Mundial, em Marrakech, que mais flexibilidade nas taxas de câmbio entre “os países emergentes com superávits significativos é um dos elementos de restabelecimento do equilíbrio favorável ao crescimento e criação de emprego em nível global”. O pedido é uma alusão clara ao fato de a moeda chinesa continuar nitidamente desvalorizada em relação ao dólar.

Trichet advertiu que “erros” nos mercados de câmbio estrangeiros podem atingir a estabilidade e o crescimento, repetindo também seu familiar mantra aos EUA de que os país deve manter o dólar forte.

O comentário de Trichet surge no momento em que muitas das economias emergentes tentam conter o avanço de suas moedas em relação ao dólar, depois que as diferenças no crescimento dos países e nas taxas de juros criaram uma “muralha monetária” de fluxos para os mercados emergentes.

Esse cenário fez com que o euro, por sua vez, atingisse seus maiores níveis em quase um ano em relação ao dólar, fazendo aparecer os primeiros sinais de preocupações entre as autoridades monetárias da Europa e exportadores, que temem que suas exportações – que estão conduzindo a recuperação da europeia esse ano – possam perder competitividade.