Foto: Agência Brasil

Lula no Salão de Turismo: mostrar coisas nossas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem o modelo da aviação civil brasileira e solicitou mudanças no sistema de transporte aéreo ao ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, e a representantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), da Infraero e da Aeronáutica. Segundo o presidente, é preciso apresentar uma nova dinâmica da aviação, porque a atual é antiga, velha e precisa ser superada. As declarações do presidente da República foram feitas na abertura do 2.º Salão do Turismo – Roteiros do Brasil, realizado no Expo Center Norte, em São Paulo.

De acordo com Lula, é necessário que se pense ?numa revolução do transporte aéreo regional do Brasil?. Para o presidente da República, é inaceitável que um turista estrangeiro que chega ao País, com o intuito de ir, por exemplo, para a Amazônia, tenha que fazer conexões em São Paulo ou Rio de Janeiro. Segundo Lula, uma maior dinamização do sistema de transporte aéreo passa, necessariamente, pela ampliação do número de destinos, com a remodelação e ampliação das rotas existentes.

Culinária

Foi com bom humor e descontração que o presidente Lula discursou na manhã de hoje na abertura do 2.º Salão do Turismo – Roteiros do Brasil, realizado no Expo Center Norte, em São Paulo. Frustrado porque o ministro do Turismo informou todos os dados sobre o setor no discurso que o precedeu, o presidente da República abandonou o texto escrito por seus assessores, pois continha os mesmos dados do de Mares Guia, e optou por falar de improviso, contando anedotas e episódios pitorescos.

Lula relatou, por exemplo, que teve que ?convencer os companheiros? do Itamaraty a abandonarem os pratos internacionais, com ?um pouquinho de cada coisa?, quando o governo recebe autoridades estrangeiras, para que fossem servidos pratos típicos da culinária brasileira. Isso porque, segundo Lula, a culinária deve ser um dos atrativos para a vinda de turistas ao Brasil.

Um dos episódios, contou Lula, foi quando o príncipe e a princesa das Astúrias estiveram em Brasília e ele determinou que o cerimonial servisse feijoada ao casal. ?O pessoal dizia: ?mas presidente, a princesa das Astúrias é assim e assim??, contou, provocando risos na platéia, ao fazer uma fisionomia de excitação que vislumbrou nos assessores do Itamaraty.

Depois, disse que a primeira-dama, Marisa Letícia Lula da Silva, ouviu da própria princesa que nunca tinha comido algo ?tão extraordinário?, chegando a repetir duas vezes o prato, ?uma agradável surpresa?, afirmou, provocando mais uma vez os risos.

Gafe

Na sua fala, Mares Guia também provocou risos na platéia ao cometer a gafe de chamar o presidente da República de Luís Henrique da Silva. Visivelmente constrangido com as risadas de Lula, Mares Guia pediu a platéia o direito de recomeçar o pronunciamento. Lula, depois, disse que, em nome da amizade, ele não via problemas no erro do ministro, mas que Mares Guia enfrentaria dificuldades se errasse o nome da própria mulher, Sheila dos Mares Guia. Ainda voltando-se a Mares Guia, Lula agradeceu o fato de o ministro ter aceito o pedido pessoal do presidente para não deixar o cargo este ano e concorrer a algum cargo eletivo.

?Depois do mandato, Mares Guia, não sei o que vamos fazer. Talvez você me contrate para fazer algo no Pitágoras?, disse Lula, referindo-se ao colégio mineiro de propriedade do ministro. Por fim, Lula fez uma recomendação para que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Ministério do Turismo, a Infraero e as secretarias estaduais de Turismo coloquem painéis nos corredores de entrada e saída entre os aviões e os portões de desembarque dos aeroportos, nos chamados ?fingers?.

Segundo Lula, isso poderá atrair o interesse de viajantes para os pontos turísticos dos estados de destino. Assim, segundo o presidente, os turistas não ficarão tão concentrados em informações ruins dos locais. ?Ninguém vai fazer turismo porque há fome no nordeste ou PCC em São Paulo ou PCC no Rio. Porque, se tiver muita coisa ruim, no máximo quem vai lá é a Polícia Federal?, argumentou o presidente.