A Procter & Gamble anunciou ontem que vai comprar a Gillette por cerca de US$ 57 bilhões em ações, unindo as duas empresas norte-americanas fabricantes de itens que vão desde fraldas Pampers às pilhas Duracell. A nova empresa deve alcançar vendas anuais de 60 bilhões de dólares. A P&G está pagando um ágio de 18% pela Gillette, mais conhecida por seus aparelhos de barbear.

A P&G prometeu cortar custos em até US$ 16 bilhões e alertou que haverá cortes de 4% da força de trabalho combinada de 140 mil trabalhadores. A companhia também deve iniciar uma recompra de ações de até US$ 22 bilhões nos próximos 18 meses, o que significa que a P&G estaria comprando a Gil-lette por 60% em ações e 40% em dinheiro.

A notícia gerou avanços nas ações de empresas européias de bens de consumo, como a francesa Bic e a britânica Reckitt Benckiser, devido às especulações de que o acordo possa incentivar novas fusões no setor.

"Esse é um tremendo de um grande negócio e faz as pessoas pensarem que a Unilever ou outras empresas poderiam voltar a comprar", disse um operador em Paris, completando que a Bic seria um alvo óbvio. A Colgate-Palmolive poderia adquirir a Reckitt, disseram operadores.

Em Davos, a chefe da comissão européia antitruste, Natalie Kroes, disse esperar uma revisão do acordo entre a P&G e a Gillette.

A fusão das empresas pode se tornar o maior negócio já fechado desde que o J.P. Morgan Chase comprou o Bank One por US$ 56,8 bilhões em janeiro passado, segundo a empresa de pesquisas Dealogic.

"Esta fusão vai criar a maior companhia de bens de consumo do mundo", afirmou o investidor bilionário Warren Buffett, que tem uma participação de 9% na Gillette.