Apesar de previsões de alta entre os economistas, a produção industrial nacional continuou estável em maio na comparação com abril, conforme informou, ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ainda assim, a fabricação de bens de capital teve alta de 1,2%, demonstrando investimentos que podem elevar a capacidade de produção. O cenário, porém, mantém as pressões inflacionárias que preocupam o Banco Central (BC), de acordo com economistas.

Na comparação com maio do ano passado, a produção da indústria teve crescimento de 14,8%, com destaque também para os bens de capital, que tiveram avanço de 38,5%.

Já a produção de bens duráveis, que aumentou 0,1% em maio ante abril, resultado muito próximo aos apurados nos dois meses anteriores, aumentou 15,4% no confronto com o desempenho de maio do ano passado.

No acumulado do ano, a indústria, em geral, produziu 17,3% mais que nos cinco primeiros meses do ano passado. Em 12 meses, o crescimento é de 4,5%. Para a economista-chefe da Rosenberg e Associados, Thaís Zara, a hipótese mais provável para a estabilidade da indústria nacional, na comparação mês a mês, foi o fim dos incentivos fiscais ao consumo e uma acomodação natural da atividade das fábricas.

O técnico da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo, também avalia que o fim dos descontos no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre eletrodomésticos e automóveis está provocando uma “acomodação” no ritmo da produção de bens de consumo duráveis.

A produção de material elétrico e de comunicações, inserida no grupo dos duráveis, aumentou 6,1% em maio ante abril e representou o maior impacto positivo para o resultado da produção industrial no período. Segundo Macedo, o aumento na produção dessa atividade foi puxado pelos televisores, sob a influência positiva das vendas para a Copa do Mundo.

“A indústria se encontra muito próxima do seu patamar mais elevado, que foi em março de 2010, e agora atinge uma acomodação”, disse Macedo. Segundo ele, algumas atividades que mostraram pressões negativas em maio, identificadas sobretudo com bens de consumo semi e não duráveis, podem justificar o resultado abaixo das projeções do mercado.

Macedo citou, por exemplo, a paralisação técnica e programada que atingiu o setor de refino de petróleo e álcool, levando a uma queda de 4,6% nessa atividade em maio ante abril.

Outro exemplo citado é a queda, também de 4,6%, na indústria farmacêutica no mesmo período, também vista como uma acomodação depois de vários meses de crescimento; há, ainda a queda de 1,7% na indústria de alimentos, que havia registrado quatro meses consecutivos de expansão em base mensal.