São Paulo (AG) – A produção de veículos no País em agosto atingiu a maior marca desde maio de 2001, com 198.058 unidades fabricadas. É a maior produção para um mês de agosto da História. O número representa uma alta de 47% na comparação com o mesmo mês de 2003 e uma elevação de 5% em relação a julho.

No mês de agosto a indústria automotiva registrou também um recorde histórico de exportações. Ao todo, foram vendidos para o mercado externo 65.781 veículos – 50% maior do que a registrada em agosto de 2003. O aumento na produção também elevou em 6% o número de trabalhadores do setor, em relação a agosto de 2003, com um total de 97.846 funcionários. Nos primeiros oito meses do ano, a indústria automotiva nacional produziu 1,424 milhão de unidades.

O mercado interno, no entanto, ainda é motivo de preocupação para a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

“Para alcançar a projeção inicial da Anfavea de vendas de 1,5 milhão de unidades em 2004 será preciso uma média mensal de vendas para os últimos quatro meses do ano de 138 mil unidades. Até agosto, a média foi de 122 mil unidades. É uma mudança de patamar relevante”, afirmou Rogélio Golfarb, presidente da Anfavea.

As vendas internas em agosto atingiram 130.500 unidades, uma queda de 2,5% em relação a julho. Durante a apresentação dos resultados da indústria nesta segunda-feira, o executivo ainda acrescentou que há uma preocupação com os custos. De janeiro a julho, segundo ele, o preço do aço aumentou 43% e os plásticos, 21%. Os preços dos carros, no entanto, tiveram aumento médio de 10% no mesmo período.

No Brasil, foram licenciados em agosto 130.483 veículos, entre nacionais e importados. Esse número representa um aumento de 29,5% em relação a agosto de 2003, mas indica uma queda de 2,5% em relação a julho.

Exportação e emprego

As exportações de veículos estão embalando as contratações na indústria automotiva. De janeiro a agosto, o setor contratou 7.000 funcionários. Desse total, 979 foram empregados só no mês passado. Com esse desempenho, a indústria automotiva – que registrou o oitavo mês consecutivo de contratação de mão-de-obra – passou a contar com 97.846 funcionários. Esse é o maior volume de empregados do setor desde 2000 (98.614).

“Tivemos um aumento significativo do aumento do nível de emprego. Foi o oitavo crescimento consecutivo do ano”, disse o presidente da Anfavea, Rogelio Goldfarb.

Segundo ele, o crescimento do emprego pode ser explicado pelas exportações, que atingiram US$ 773,336 milhões em agosto. Foi o melhor resultado de toda a história da indústria automotiva.

A projeção da Anfavea é fechar o ano com um montante de exportações de US$ 7,5 bilhões, que vão representar um aumento de 36% em relação a 2003. De janeiro a agosto, as vendas para o mercado externo atingiram US$ 5,138 bilhões, um crescimento de 55,4% na comparação com igual período do ano passado.

Salários

O reajuste salarial de até 10% para os funcionários das montadoras que ganham até R$ 6.000 – aprovado neste final de semana – deve pressionar os custos de produção das montadoras.

“A inflação do período foi de 6% e demos mais 4% de aumento real. Tudo isso reflete e se soma às pressões de custos, que vem sendo prejudicado pelos aumentos dos insumos”, disse Goldfarb.

Números da Anfavea mostram que o custo do aço subiu 106% de janeiro de 2002 a julho de 2004. Só neste ano, o aumento foi de 43%.

“Temos preços fixos e margens que estão sendo espremidas ao longo dos anos. Os preços (de veículos) não conseguem acompanhar a variação de custos dos insumos. Por conta disso temos uma indústria que não realiza lucros há mais de cinco anos. Tudo isso se reflete na capacidade de investimentos”, disse Goldfarb.