Arquivo / O Estado
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Indicadores como a produção de
veículos já mostravam que haveria arrefecimento na produção.

A produção industrial brasileira registrou queda de 2,5% em julho, segundo dados divulgados ontem, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Trata-se da primeira queda do indicador após quatro meses consecutivos de expansão. O resultado representa também a maior perda desde janeiro de 2003.

Em relação a julho de 2004, o saldo continua positivo, com alta de 0,5%, o pior desempenho nesta base de comparação desde setembro de 2003. No acumulado de janeiro a julho, o crescimento ficou em 4,3%, abaixo do desempenho do primeiro semestre, que havia registrado expansão de 5%.

A queda da produção em julho já era esperada pelo mercado. O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão ligado ao Ministério do Planejamento previa um recuo de 0,5% a 1% da produção, a queda, no entanto, foi superior às expectativas.

O indicador é avaliado como o primeiro a dar sinais do menor fôlego da economia no terceiro trimestre, que deve ser marcado pela concentração dos efeitos da crise política, na visão do instituto.

?O mercado captou o sinal de perda de ritmo da produção, mas a intensidade ficou acima do previsto?, afirmou Isabela Nunes, economista do Departamento de Indústria do IBGE.

Indicadores como a produção de veículos, dados de comércio exterior, desempenho da siderurgia e pedágio de caminhões já sinalizavam que a produção industrial mostraria arrefecimento.

?Houve perda de ritmo na produção. A intensidade da queda pode estar ligada a um ajuste de estoques. As sondagens da indústria já tinham captado uma deterioração nas expectativas do empresariado?, afirmou Nunes. Em maio e junho, meses de maior fôlego da expansão industrial, a produção havia acumulado crescimento de 3,2%.

Um fator secundário que contribuiu para a intensidade da queda na produção foi o número de dias úteis. Nos últimos 11 anos, a média do mês de julho era de 22 dias úteis. Neste ano, o mês contou com 21 dias.

Efeito contrário ocorreu em junho, quando a média histórica era de 20,6 dias e o mês teve 22 dias úteis. Como se tratam de meses em trimestres diferentes, não foi possível ?diluir? ou compensar o efeito estatístico ao longo de um mesmo trimestre.

Segundo o IBGE, o recuo observado em julho foi generalizado e atingiu 20 das 23 atividades pesquisadas com ajustado sazonal. As retrações mais significativas foram registradas em veículos automotores (-4,6%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (-10,7%) e máquinas e equipamentos (-5,7%). As indústrias de veículos e de materiais eletrônicos estavam entre as de maior expansão nos meses anteriores.

Em relação a junho, os únicos setores que mostraram crescimento foram refino de petróleo e produção de álcool (2,6%), farmacêutica (4,2%) e celulose e papel (1,7%).

Todas as categorias de uso apresentaram queda na comparação com junho. Até mesmo os bens de consumo duráveis (automóveis e eletrodomésticos), que vinham liderando o crescimento da indústria ao longo do ano, tiveram queda de 5,9%. O IBGE destaca que nos dois meses anteriores esta categoria havia acumulado alta de 13,5%.

Os bens de capital (máquinas e equipamentos) registraram queda de 7,6%. Os bens intermediários (insumos industriais), que cresceram 4,3% ao longo dos quatro meses anteriores, tiveram queda de 1,9%. Os bens de consumo semiduráveis e não duráveis (roupas e alimentos) caíram 0,9%.

O desempenho positivo em relação a julho do ano passado, de 0,5%, pode ser atribuído ao desempenho do setor extrativo (10,9%). A indústria de transformação teve crescimento nulo nessa base de comparação e atingiu a menor marca desde setembro de 2003.

As atividades de maior impacto em relação a julho do ano passado foram refino de petróleo e produção de álcool (8,6%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (20,5%) e edição e impressão (17,7%).

Ministro minimiza a queda

O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, esquivou-se de fazer comentários sobre a forte queda da produção industrial em julho, divulgada pelo IBGE, e disse apenas que o seu ministério olha os números para frente e não os do passado. De acordo com Furlan, os resultados de julho geralmente são sempre menores do que os de agosto, devido às férias.

O ministro Furlan apelou para o recente dado divulgado pela indústria automobilística, os quais mostram recordes na produção e exportação de veículos, e afirmou que não faz sentido olhar para o mês de julho se agosto já mostra concretamente uma recuperação dos números.

?Os números de hoje são melhores do que os do passado?, resumiu Furlan. ?Normalmente, nós no ministério olhamos sempre para a frente.?