A avicultura do Paraná deve passar, nos próximos anos, a agregar valor ao produto exportado, passando a semi-industrializar os cortes de frango que hoje vende para mais de 100 países. Pelo menos duas cooperativas do Estado – a Cotrefal e a Coopervale -, estariam analisando projetos industriais para “cozinhar” o frango, o que traria outro benefício além de melhorar o preço: derrubaria todas as possíveis barreiras fitossanitárias que existem hoje. A informação foi dada ontem por Domingos Martins, presidente do Sindicato e Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná, Sindiavipar.

Martins esteve ontem pela manhã com o secretário da Agricultura, Orlando Pessuti, a quem foi levar uma proposta para intensificar a vigilância sanitária para o setor avícola, além de solicitar que seja estabelecido um zoneamento para a criação de aves. “Não estamos tendo problemas sanitários no setor avícola, e queremos melhorar essa situação”, disse ele. O Paraná é o maior produtor do País, com 734,6 milhões de frangos abatidos em 2002 (20,4% do total nacional).

Entre as solicitações feitas ao secretário estão uma vigilância mais intensa sobre os rejeitos do frango e zoneamento. “As medidas são necessárias para organizar a avicultura do Estado”, disse Martins.

Milho

O dirigente sindical também apresentou ao secretário, ontem, uma proposta para aumentar a produção de milho no Estado. Ele defende incentivos – como a inclusão do milho no seguro (Proagro) -para tornar o produtor auto-suficiente e estimulado. Inclui outras medidas como linha de crédito, preço mínimo e o retorno do projeto Panela Cheia, já adotado na gestão anterior do governo Roberto Requião.

A ótima safra passada e o preço animador – a saca de milho gira em torno de R$ 17 a R$ 19 – fizeram com que a avicultura não tivesse sobressaltos no ano passado. “Queremos que o produtor de milho continue recebendo um valor suficiente para remunerá-lo pelo seu investimento”, acentua Martins. Segundo ele, isso traz tranquilidade ao setor.

Mercado

O Sindiavipar projeta um crescimento de até 12% no valor em dólares das exportações de frango, este ano. Porém, a expectativa maior ainda é com o mercado interno. “Se o programa Fome Zero do Governo Federal conseguir distribuir dois quilos de frango por mês, para cada um dos 30 milhões de brasileiros que estariam à margem do consumo, abaixo da linha de pobreza, teríamos um incremento de 60 milhões de quilos de frango, por mês. Isso significa 10% da produção nacional”, esclarece.