Foto: SECS

Taxas de juros menores vão permitir mais investimentos.

Os produtores de aves iniciam 2006 mais otimistas. Isso porque o Conselho Monetário Nacional ampliou de cinco, para até oito anos, o prazo de reembolso para os financiamentos destinados à avicultura, por meio da Resolução 3.337 do Banco Central do Brasil, de 23 de dezembro de 2005. O benefício inclui até dois anos de carência e também se estende à suinocultura. O aumento do prazo para financiamento é resultado dos esforços da Secretaria da Agricultura do Paraná que, nos últimos meses, intermediou vários contatos entre representantes do setor produtivo e órgãos do Governo Federal.

A iniciativa, que beneficia produtores de aves de corte e postura de todo o Brasil, faz parte do Programa de Desenvolvimento do Agronegócio (Prodeagro), administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). De acordo com as regras do Prodeagro, a taxa de juros é de 8,75% ao ano, incluída a remuneração da instituição financeira credenciada de 3% ao ano.

Já o limite de valor dos financiamentos por cliente, no período de 01 de julho de 2005 a 30 de junho de 2006, é de até R$ 200 mil nos casos de empreendimentos individuais. Para empreendimentos coletivos, respeitado o limite individual por participante, o limite de valor dos financiamentos é de até R$ 600 mil.

Empregos

O vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti, informou que, em ação conjunta da Secretaria da Agricultura e dos representantes da avicultura do Paraná, como Sindiavipar, Avipar, e empenho do superintendente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) em Curitiba, Carlos Areton Azzolin Olson, foi apresentada ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo Silva, e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a proposta de medidas que flexibilizassem o Prodeagro para o setor.

?Com o aumento do prazo para financiamento de seis para até oito anos e o valor do financiamento de até R$ 200 mil, o produtor de aves é incentivado a investir na sua atividade. Estimulado o setor, há uma maior geração de empregos. Com isso, o comércio e a economia de vários municípios do Paraná também são favorecidos?, informou.

O superintendente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) lembrou que a novidade vem fortalecer a consolidação do Paraná como o maior produtor de frango do País. Segundo Olson, com o novo estímulo, o Estado tem a oportunidade de crescer ainda mais no setor. ?Vários empreendimentos industriais aguardavam essa medida para estimular o setor?, afirmou.

O Prodeagro apóia o desenvolvimento de vários segmentos do setor agropecuário e busca incrementar a produtividade, a produção e a melhoria dos padrões de qualidade dos produtos oriundos das diferentes atividades, como também, aumentar as suas vendas nos mercados internos e externos.

Avicultura

O Paraná é o maior produtor de frangos do País. De acordo com a União Brasileira de Avicultura (UBA), em 2004, o Estado abateu mais de 918 milhões de aves. Isto significou 22,72% do abate realizado no País. Para 2005, a estimativa já ultrapassa o abate de um bilhão de cabeças com inspeção. O segmento agroindustrial de aves é o mais representativo no Valor Bruto da Produção (VBP) do Estado. Também é responsável por 36% do total da produção de carnes.

Em maio de 2005, o Paraná respondeu por 29,5% das exportações brasileiras de carne de frango e gerou divisas na ordem de US$ 941 milhões. Entre os três estados que mais produzem e exportam o produto, o Paraná teve um crescimento no volume exportado de 17,5%, o maior registrado de 2004 a 2005.

O volume exportado pelo Rio Grande do Sul cresceu 12,5%. Santa Catarina ficou em terceiro lugar com um crescimento de 11,6% nas exportações de carne de frango.

Novos prazos favorecem modernização do setor

A avicultura paranaense comemora a ampliação pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) do prazo de reembolso para os financiamentos destinados ao setor. As novas regras beneficiam principalmente os produtores do Paraná, o maior produtor de frangos do País. O segmento agroindustrial de aves é o mais representativo no Valor Bruto da Produção (VBP) do Estado. Também é responsável por 36% do total da produção de carnes.

Financiamentos com maior prazo de pagamento e carência vinham sendo apontados pela avicultura paranaense como a solução para a realização de investimentos destinados a modernizar as instalações de produção de aves de corte. O prazo curto e a pequena carência foram definidos como gargalos que impediam a tomada de recursos junto a instituições financeiras em estudo realizado pela Unifrango Agroindustrial holding que reúne 19 empresas avícolas do Paraná – com o apoio do Sindicato da Indústria de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar).

O presidente do Sindiavipar, Domingos Martins, que também responde pela presidência da Unifrango Agroindustrial, informa que esta modificação nas normas de financiamento representa a adequação econômica da atividade avícola. Para Martins, a falta de prazos viáveis para a avicultura realizar investimentos estava represando a demanda existente. Martins avalia que hoje, cerca de 25% de todos os aviários paranaenses precisam de investimentos para se modernizar. ?Este cenário motivou o setor a realizar o estudo técnico para apresentar a idéia às autoridades federais, com o apoio do vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti?, destaca.

O presidente da Associação dos Abatedouros e Indústria Avícola do Paraná (Avipar), Alfredo Kaefer, destaca que com estas novas regras, a avicultura deve voltar a financiar aviários. Para Kaefer, em um País com inflação estável como o Brasil, era necessário equilibrar as regras do financiamento para que os avicultores pudessem manter a evolução da avicultura local. ?São unidades que chegam a ter 20 anos de uso, que precisam de investimentos em equipamentos e reformas. O importante agora é que o BNDES disponibilize recursos em volume suficientes para atender à necessidade do setor?, afirma.