A feira fica mais cara, mas produtos sem agrotóxicos significam consumo seguro para toda a família.

Curitiba vai ganhar o primeiro espaço permanente de comercialização de produtos orgânicos do Brasil. Segundo o secretário municipal de Abastecimento de Curitiba, Antônio Leonel Poloni, a idéia é fortalecer o mercado destes produtos para baratear o preço ao consumidor.

De acordo com ele, a Região Metropolitana (RMC) da capital é responsável por 20% da produção estadual.

Na RMC 700 produtores rurais trabalham com a agricultura orgânica. Mas segundo o secretário, a produção ainda é insuficiente para atender a demanda e, em conseqüência disto, os preços não são acessíveis para a maior parte da população. Com o mercado, espera-se fortalecer o comércio de atacado e varejo, ampliando o número de consumidores e barateando os preços dos produtos.

Outro motivo que levou a Prefeitura a criar o espaço, foi uma pesquisa feita este ano com o público que freqüenta o Mercado Municipal. Nela, foi constatada que as pessoas querem que seja criado na cidade um ponto fixo e diário para a venda de orgânicos. Hoje existem apenas quatro feiras e elas acontecem uma vez por semana. A previsão é que outras quatro entrem em funcionamento até o fim do ano.

O mercado será construído na Rua da Paz, onde hoje é o estacionamento do Mercado Municipal. Deve custar R$ 3 milhões e será erguido em parceria com o governo federal. O executivo municipal vai ceder o terreno e arcar com um terço dos custos do prédio. Agora, a Prefeitura está terminando o projeto arquitetônico e deve enviar para Brasília para a aprovação do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

A previsão é que as obras comecem no início de2006 e o mercado entre em funcionamento no segundo semestre.

O novo espaço terá dois pisos de 900 metros quadrados cada um, além de um estacionamento. No primeiro piso vão ficar as lojas de produtos e a praça de alimentação exclusivamente orgânica. No espaço vão funcionar cerca de 30 lojas e a distribuição será feita por meio de um processo de licitação. O segundo andar será destinado a administração e salas para eventos de capacitação.

Restaurante popular

Curitiba também irá ganhar o Restaurante da Gente, instalado na Rua da Cidadania, na Praça Rui Barbosa. As refeições vão ser subsidiadas pela Prefeitura para que o

preço seja mais acessível. O restaurante vai abrir as portas a partir do final do primeiro semestre de 2006 e serão servidas três mil refeições diárias. A obra custará R$ 1,5 milhão, sendo um terço de responsabilidade do Poder Executivo municipal e o restante do federal.

Paraná produziu 66 mil toneladas em 2004

Na safra 2003/04, o Paraná produziu 66.256 toneladas de orgânicos. A produção orgânica do Estado movimentou 60 milhões de reais.

A área plantada com orgânicos foi de 11.252 hectares, o que corresponde a 15% da área plantada com culturas orgânicas no Brasil. O País possui 841 mil hectares com produtos orgânicos. Ao todo, são 19 mil propriedades orgânicas.

A soja é o principal produto do segmento. Na safra passada, a área plantada com a cultura foi de 4.523 hectares. Quanto ao volume de produção, sobressai a cana-de-açúcar. Foram 19.486 toneladas do produto, usado na produção de açúcar mascavo e cachaça.

No cenário nacional, o Paraná destaca-se pela diversificação dos produtos, um dos efeitos da nossa diversidade climática. A produção orgânica de café e frutas tropicais ocorre na região norte do Estado. No centro-sul, o milho e o feijão são os mais cultivados. A produção orgânica de banana e arroz destaca-se no litoral. Na Região Metropolitana de Curitiba é incentivado o cultivo das hortaliças. Já os grãos orgânicos predominam no sudoeste do Estado.

No Paraná, a agricultura orgânica gera 20 mil empregos diretos. A família Maschio, que se dedica à produção orgânica, há 10 anos, em Colombo, considera que a atividade tem forte cunho social.

Numa área de dois hectares, os Maschio cultivam, principalmente, morango. Na safra passada, a família colheu entre 400 e 450 gramas do produto por planta. Com a rotação de culturas, os Maschio também produzem alface e brócolis. Recentemente, iniciou na produção de alcachofra. ?Quando começamos a produzir orgânicos, pouco se sabia sobre a técnica. Para nós, era novidade. Hoje, trabalhamos com estufa, já descobrimos muitas caldas e a produção melhora a cada ano?, disse o produtor Paulo Alessandro Maschio.

Segundo ele, as práticas garantem o equilíbrio da propriedade. ?Fazemos o manejo adequado e diminuímos a presença de pragas e doenças em nossas lavouras. Com o tempo, a gente se profissionalizou?, lembrou. Para este ano, as expectativas também são positivas. ?Esperamos repetir, no mínimo, a produção de 2004?.

Produtores se mostram satisfeitos com a nova opção

Envolvido com a produção de orgânicos desde 1999, o produtor João Frez, do município de Ivaiporã, lembra que tudo começou com o cultivo de maracujá. ?Fui o primeiro produtor da região central do Estado a exportar maracujá orgânico para os Estados Unidos e Suíça. Isto foi na safra 1999/2000.

De lá pra cá, diversificamos a produção. Sempre de olho no mercado externo?, contou.

Segundo Frez, que é presidente da Associação Regional dos Produtores de Orgânicos do Vale do Ivaí (Biovale), atualmente também são exportados soja, mandioca e café orgânicos.

A Biovale, com sede no município de São João do Ivaí, reúne 45 produtores de 14 municípios. ?Cerca de 90% da nossa produção vai para o exterior. Nossos produtos são consumidos em vários países do mundo?, disse.

Segundo o produtor, vários fatores levaram a optar pela agricultura orgânica. Entre eles, o uso excessivo de inseticidas, que precisava ser abandonado. ?Além disso, o preço final da produção convencional não era estável. Eu procurava por um mercado que garantisse um preço diferenciado para meus produtos. Também tinha decidido vender alimentos com melhor qualidade?, lembrou.

Quanto ao III Encontro Regional de Agricultura Orgânica, Frez disse que as expectativas são as melhores. ?O evento vai reunir grandes nomes da agricultura orgânica. Também vai contar com a participação de várias empresas, entidades e associações que valorizam o orgânico. Por isso, precisamos participar?, concluiu.