Davos, 19/1 – O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, previu nesta quinta-feira, 19, que as projeções do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2017, na casa de 4,8%, vão continuar a cair em direção às feitas pela instituição, de 4,4%, no cenário de mercado. “Acho que vamos ver as projeções do mercado convergindo para a meta”, disse em relação ao alvo de 4,5%. Questionado sobre se esse movimento poderia ser visto já no curto prazo, ele disse não saber.

Ilan Goldfajn enfatizou que, quanto mais as expectativas estiverem ancoradas na meta, mais a instituição tem espaço para focar nos efeitos secundários de alta da inflação. Perguntado se o BC está neste momento agora, ele respondeu: “Sim, acredito que estamos lá agora.”

O mercado financeiro chegou ao consenso de que a taxa básica de juros, atualmente em 13,00% ao ano, terminará 2017 em um só dígito. Goldfajn, no entanto, não quis apresentar uma avaliação sobre se essa estimativa está otimista ou em linha com a realidade.

“Não vou comentar expectativas de mercado em relação à Selic. Cada um tem seu cenário, e nós temos o nosso”, comentou. Em termos de inflação, Goldfajn disse que o BC está indo na direção que precisa em relação à inflação

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O presidente do BC disse também que vai esperar pacientemente as agências de risco atuarem na direção que os ativos já mostram de melhoria dos dados da economia brasileira. Ele salientou que a Bolsa já mostra melhora, assim como o Credit Default Swap (CDS). “Vamos esperar pacientemente as agências se moverem na mesma direção que os mercados já pegaram”, considerou durante entrevista coletiva.

Para ele, as reformas que serão feitas pelo País também levarão a mudanças de percepção de risco, inclusive de agências de risco, que têm seu processo e podem levar algum tempo para fazer mudança. “Mesmo a queda da inflação, que pode trazer percepção de risco menor, já aparece nos preços de ativos de mercado”, disse, citando a alta da Bolsa e a baixa dos juros futuros. “Isso deve ser visto nas classificações das agências em algum tempo. Não sei dizer quando”, considerou.

Demais países

O presidente do Banco Central avaliou que todas as regiões do mundo, citando Estados Unidos, Europa e Japão, estão se mexendo na direção de recuperação. A grande dúvida, de acordo com ele, é se o cenário de crescimento dos países avançados vai se manter. A afirmação foi feita quando perguntado sobre a divergência das políticas monetárias.

Ilan Goldfajn comentou que alguns países, como os EUA, estão mais perto do pleno emprego, enquanto outras áreas estão se recuperando, mas não estão tão perto dessa meta. Isso faz diferença sobre o nível das taxas de juros, de acordo com ele. “Daqui para frente, temos riscos políticos e isso pode mexer nesse momento, esta é a que a dúvida: se o cenário de crescimento dos países avançados vai se manter ou se estas incertezas que estão surgindo aí vão interromper essa trajetória.”

Sobre o Fórum Econômico Mundial de Davos, o presidente do BC disse que, nesta edição, ao contrário das anteriores, em que participava pelo setor privado, ele ficou mais “focado no trabalho”, cumprindo agendas em que tinha papéis ativos. “Não pude assistir a alguns painéis, como fiz no passado”, lamentou. Para ele, o discurso do premiê chinês a favor da globalização foi o que mais chamou atenção em Davos. “Esta foi uma postura do outro lado do mundo interessante, que não estávamos esperando.”