O governo da Grécia apresentou hoje um projeto de Orçamento que mostra o país garantindo seu primeiro superávit operacional desde o início da crise da dívida e que prevê também a retomada do crescimento após seis anos de uma dolorosa recessão.

Ainda não está claro, no entanto, se os credores internacionais da Grécia vão concordar com esse cenário mais otimista. Representantes da chamada troica – que reúne a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) – retornam a Atenas ainda neste mês para uma análise detalhada do projeto orçamentário.

Em meio a uma série de medidas de austeridade adotadas para superar crônicos déficits fiscais, a economia grega encolheu cerca de 25% ao longo desse período, levando dezenas de milhares de empresas à falência e fazendo a taxa de desemprego atingir níveis recordes na Europa.

“Neste ano, esses sacrifícios estão dando resultado”, afirmou durante coletiva o vice-ministro de Finanças do país, Christos Staikouras. “Este Orçamento dá as primeiras indicações de que a Grécia está saindo da crise.”

Segundo o plano de gastos para 2014, a economia da Grécia deverá crescer 0,6% no ano que vem, após a contração de 4% prevista para 2013. O desemprego, que recentemente superou 28% da população economicamente ativa, deverá se desacelerar para 26% em 2014.

Além disso, a Grécia prevê um superávit primário – que exclui pagamentos de dívida – de 2,8 bilhões de euros, ou 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB), ante um pequeno superávit de 340 milhões de euros neste ano.

A União Europeia (UE) e o FMI ainda não estão convencidos de que o Orçamento levará a um superávit primário no próximo ano. De acordo com suas estimativas, o governo grego ainda terá um déficit fiscal em torno de um bilhão de euros em 2014.

Atenas foi efetivamente isolada dos mercados de bônus na primavera europeia de 2010, quando os gregos foram obrigados a pedir um pacote de ajuda multibilionário de seus parceiros da zona do euro e do FMI. Em seus comentários, Staikouras disse que a Grécia já iniciou o processo para possivelmente emitir dívida nova a partir do segundo semestre de 2014. Fonte: Dow Jones Newswires.