O balanço do dia de alerta contra os tíquetes-refeição, realizado em Curitiba na última quarta-feira, motivou a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e suas seccionais em todo o Brasil a concentrarem esforços para um novo protesto que promete mobilizar o País contra as altas taxas administrativas cobradas pelas empresas de refeição-convênio. A previsão é que a ação ocorra em outubro. ?Caso as empresas não aceitem negociar as altas taxas, faremos um novo movimento durante o Fórum Mundial de Turismo?, afirma o presidente da entidade, Paulo Solmucci Júnior.

Na capital paranaense, cerca de 280 restaurantes, quase o triplo do número de adesões esperadas, não aceitaram tíquetes-refeição por um dia. A manifestação marcou o segundo dia do XVII Congresso Nacional da Abrasel, que acabou ontem e reuniu mais de mil inscritos e cerca de 10 mil visitantes do setor de bares e restaurantes.

Taxas

Solmucci Júnior revela que as três maiores empresas do setor estão cobrando taxas que chegam a 10% sobre o faturamento bruto. Essa posição estaria descumprindo um acordo firmado com a entidade e o Ministério do Trabalho, em 2002, no qual as taxas não ultrapassariam 3,5% sobre o faturamento com a implantação do tíquete eletrônico, hoje em vigor na maioria dos restaurantes. Em média, 80% do faturamento dos restaurantes vêm dos tíquetes-refeição.

?Usufruindo dos benefícios do programa de alimentação do trabalhador do governo federal, as quatro grandes empresas controlam os bilhões que são distribuídos aos empregados brasileiros por seus empregadores e retiram do faturamento bruto dos restaurantes até 10% em taxas. A empresa multinacional líder desse mercado chega a cobrar, em média, mais que o dobro do que cobrado por suas pequenas concorrentes nacionais?, afirma Solmucci Júnior.

As altas taxas trazem pouca rentabilidade e aumento de preços nos restaurantes. Quem paga esta conta é o consumidor que arca com um valor mais elevado pela refeição, explica o presidente nacional da Abrasel.