O ministro da Fazenda, Pedro Malan, acredita que o Partido dos Trabalhadores (PT) vai apoiar a elevação da meta de inflação para 2003, primeiro ano de governo do sucessor do presidente Fernando Henrique Cardoso. No anúncio da mudança da meta de inflação de 3,25% para 4% em 2003, o ministro lembrou uma entrevista concedida há vários meses à Agência Estado por Guido Mantega, assessor econômico do PT, na qual, segundo o ministro, o economista teria afirmado que a inflação ideal para o Brasil seria de 4%, com uma banda de variação de dois pontos porcentuais para cima e para baixo.

?Suponho que ele (Mantega) apoiará a decisão que tomamos aqui?, disse Malan, ao ser provocado se ao aumento da meta não era um indicativo de que o governo teria se rendido aos argumentos da oposição, de que o País poderia ter um pouco mais de inflação para não prejudicar o crescimento.

Malan deixou que claro, no entanto, que o País pode ter, no médio e longos prazos, inflação menor do que a fixada agora. O ministro ironizou a posição defendida pelo senador Lauro Campos (PDT-DF), que em audiência pública no Congresso disse que preferia inflação de 80% desde que o salário aumentasse o mesmo valor. ?Tem gosto para tudo. É um absurdo ter no Brasil pessoas que defendam que é possível ter mais inflação desde que o salário aumente?, criticou.