Foto: Arquivo/Agência Brasil

Ministro Furlan: redução ainda não preocupa.

A queda de cerca de US$ 1 bilhão do superávit comercial nos seis primeiros meses deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, não preocupa até o momento a administração federal. A afirmação é do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, após visitar a ?Primeira Bienal Brasileira de Design?, realizada na Oca, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. ?O Brasil não precisa de um superávit comercial anual de US$ 45 bilhões?, disse o ministro. ?A perda de US$ 1 bilhão é, nestes seis meses, considerada tranqüilamente normal?, acrescentou.

Segundo ele, as expectativas do governo para este ano já consideravam um superávit comercial menor, provocado, principalmente, pelo maior peso das importações no fluxo de comércio do País. ?Portanto, há uma tendência normal de o superávit diminuir.?

Furlan admitiu que setores, como o calçadista, o automotivo e o moveleiro, vêm sofrendo queda de exportações, por conta da valorização do real frente ao dólar, mas, novamente, não deu qualquer indicação de que a condução da política monetária sofrerá alguma mudança para reverter o ciclo de valorização do real.

Abertura

Furlan disse também que a Argentina reabrirá negociações com o Brasil para a eliminação de cotas de produtos brasileiros para aquele país. Tal análise, segundo Furlan, foi obtida pela disposição que o presidente argentino, Néstor Kirchner, demonstrou ontem, em Buenos Aires, quando foi assinada a renovação do acordo automotivo entre os dois países.

?A nossa abertura foi aceita de uma forma muito tranqüila pelas autoridades argentinas e esse será um processo de negociação?, afirmou o ministro referindo-se ao pedido de eliminações de cotas sobre calçados, linha branca, televisores e outros produtos brasileiros.

Como ?industrial aposentado?, assim por ele mesmo definido, Furlan disse que entendia o desejo dos empresários argentinos em defender seus mercados, mas insistiu que os dois países devem aprofundar as relações de livre comércio. ?Argentina e Brasil vivem momentos, hoje, muito melhores do que há três anos e isso favorece para haver entendimento de reabertura?, observou.