São Paulo

  – Depois de cinco dias de queda, o dólar comercial fechou ontem em alta expressiva de 3,69%, a R$ 3,650 na compra e R$ 3,650 na venda. A moeda norte-americana encerrou na máxima do dia. Para Hélio Osaki, da corretora Finambras, o desencontro de informações sobre o não pagamento de uma parcela de amortização da dívida da prefeitura de São Paulo à União puxou a cotação para cima.

O mercado não ficou muito satisfeito, mesmo com a explicação do Tesouro Nacional e da prefeitura (de São Paulo) de que o não pagamento não representa um calote, mas apenas a opção de arcar com juros maiores no futuro. Houve um mal-estar, que se traduziu em preocupação – afirmou.

Osaki disse que o mercado estava procurando um motivo para corrigir as quedas dos últimos dias. Ele disse também que a Klabin, empresa de papel que anunciou “default” anteontem, já deixou o mercado apreensivo e preocupado com a reestruturação das dívidas das empresas brasileiras.

– Não houve razão adicional para a alta do dólar. O mercado estava em atenção e aproveitou para corrigir a queda dos últimos dias – afirmou.

O analista disse que o mercado também está apreensivo à espera do anúncio da equipe econômica do próximo governo. Segundo ele, isso é natural, já que o novo presidente do Banco Central e o ministro da Fazenda deverão mostrar a conduta do próximo governo, confirmando ou não o cumprimento das metas já acertadas. Inflação em alta também é um tema que corre nas mesas dos operadores, segundo Osaki. Dois índices já mostraram elevação das taxas. A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) informou que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou em outubro 1,28%, o maior índice desde agosto de 2000, acumulando 5,14% no ano. Na semana passada, o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) registrou alta de 3,87%, o maior índice do Plano Real.

Os investidores também ficaram hoje de olho no resultado da reunião do Banco Central norte-americano, o FED, que reduziu os juros em 0,50 ponto percentual, para 1,25% ao ano.

Bolsa em queda

A Bolsa de Valores de São Paulo encerrou a quarta-feira em baixa, afirmando a tendência que já dura quatro pregões. Segundo operadores, além de um movimento de realização de lucros, houve estresse no mercado com o mal-entendido sobre a decisão da Prefeitura de São Paulo de não amortizar sua dívida com a União.

O Ibovespa encerrou o dia a 9.702 pontos, com baixa de 1,60 por cento. Na mínima, chegou a perder 2,82 por cento. O volume financeiro foi de 502 milhões de reais, elevado, segundo operadores, porque houve saída de investidores estrangeiros.

“Houve uma confusão sobre a Prefeitura de São Paulo, o que piorou tudo… Além disso, tinha também o mau desempenho dos outros merca dos locais, sobretudo o dólar”, afirmou o executivo-chefe de renda variável do Lloyds TSB, Pedro Thomazoni.

No mês passado, o Ibovespa acumulou alta de quase 18 por cento, parte dela já devolvida neste mês. As perdas dos últimos quatro pregões somam 4,57 por cento.