A situação externa é a principal razão para o pessimismo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com o Brasil. Grande exportador de matérias-primas, o País sofre com a desaceleração da China a queda das commodities. Além disso, problemas internos que vão da situação fiscal à incerteza política consolidam o ambiente negativo, diz a economista-chefe da OCDE, Catherine Mann. Por isso, ela defende que o governo “arrume a casa” para retomar o crescimento econômico.

“O Brasil é um país que tem sofrido duplamente com o cenário externo. Essa é a principal razão para a nossa significativa redução das previsões desde junho”, disse Catherine Mann em entrevista para divulgar a atualização do cenário econômico da entidade. A economista explica que o impacto duplo é gerado primeiro pela desaceleração da China, o que reduz a demanda por exportações brasileiras. O segundo reflexo do mesmo problema é sentido através da queda do preço das matérias-primas vendidas pelo Brasil, como o minério de ferro e a soja.

A economista-chefe da OCDE ressalta que o Brasil sofre deterioração acentuada porque também enfrenta ambiente interno desfavorável. “Não são apenas as commodities e o quadro externo. Há problemas internos. Há deterioração da posição fiscal, alguma turbulência no mercado relacionada à Petrobras e incerteza política”, enumerou.

Diante desse quadro, ela lembrou que a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou a nota do Brasil para grau especulativo na semana passada. Para Catherine Mann, a surpresa com o rebaixamento pode “ter acordado” o governo para o problema. “Colocar a casa em ordem com uma política fiscal sustentável é elemento chave”, disse, ao comentar que também reconhece a importância dos programas sociais executados pelo governo brasileiro.

Em estudo apresentado nesta quarta-feira, 16, a OCDE aprofundou a expectativa de recessão brasileira em 2015 de -0,8% no cenário previsto em junho para -2,8%. Para 2016, a expectativa passou de crescimento de 1,1% para contração 0,7%. A deterioração vista no número brasileiro para 2015, disse a economista da entidade, foi a mais pronunciada entre as grandes economias com estimativas publicadas no relatório da Organização.