A receita do setor de serviços encolheu 2,8% no segundo trimestre de 2015 em relação a igual período do ano passado, já descontados os efeitos da inflação, estima o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Embora o impacto mais negativo tenha vindo de serviços de tecnologia da informação e dos transportes, a desaceleração mais intensa ocorreu nos serviços prestados às famílias.

“Os serviços prestados às famílias não pesam muito, mas a desaceleração tem um significado maior, pois eles são a ponta da atividade de serviços. Talvez esse desempenho explique a aceleração da queda no mercado de trabalho”, nota o economista Silvio Sales, consultor do Ibre/FGV.

Apenas em junho, a receita de serviços encolheu 2,4% em termos reais na comparação com junho do ano passado. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga apenas o dado nominal, sem descontar a influência de preços – neste caso, o crescimento foi de 2,1%.

“A comparação com a Copa teve influência negativa em alguns setores, mas de maneira geral o evento reduziu o tempo de trabalho, o que gerou agora resultado positivo em outros segmentos. No fim, o efeito foi neutro. Já a trajetória de desaceleração da atividade prossegue”, diz Sales.

No acumulado do primeiro semestre, o setor de serviços teve uma queda de 2,1% na receita em relação a igual período do ano passado, já descontada a inflação.

O Ibre/FGV tem trabalhado para deflacionar os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de acordo com os parâmetros empregados pelo próprio IBGE ao incorporar os dados no cálculo do PIB. Tais definições foram explicitadas em uma nota técnica de 7 de novembro de 2013.

No primeiro semestre, o deflator ficou em 4,4%, menor do que o IPCA de serviços ou qualquer outro índice de inflação varejista. “A energia elétrica, que tem jogado a inflação para cima, não deflaciona nenhum item da PMS. Além disso, no setor de informação e comunicação, que tem peso grande na pesquisa, não há quase movimentação de preços”, explica Sales.