A recessão da indústria se generalizou no país ao longo do segundo trimestre. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a produção da indústria desacelerou em 10 das 12 áreas pesquisadas pelo instituto, no segundo trimestre do ano, em relação ao primeiro trimestre. Dessas dez áreas, sete apresentaram retração e três crescimento menor.

Em junho, em relação ao mesmo mês de 2002, o desempenho regional da indústria brasileira mostrou queda em 8 das 12 regiões.

A indústria nacional fechou o semestre em recessão, pois registrou retração em dois trimestres consecutivos. Do primeiro para o segundo trimestre deste ano, a produção diminuiu 2,6%, e do quarto trimestre do ano passado para o primeiro trimestre deste ano, a queda foi de 1%.

Segundo o IBGE, as duas exceções para a “perda de ritmo generalizada” entre o primeiro e o segundo trimestre foram a Bahia e, por conseqüência, o Nordeste. A Bahia, que caiu 1,3% no primeiro trimestre, se expandiu 11,1% no segundo. No Nordeste, os índices trimestrais passaram de -1,5% para 1,2%. A produção da indústria paulista caiu 4,3% em junho e 0,9% na média no ano.

Em algumas regiões houve reversão de taxas positivas para negativas entre o primeiro e segundo trimestre. Foram os casos de São Paulo, que teve 2,4% no índice de janeiro a março e -3,8%, no índice de abril a junho; Rio de Janeiro, que passou de 4,2% para -2,7%; região Sul (de 3,6% para -1,2%), e Ceará (de 1,2% para -4,9%). Acentuando suas taxas negativas, Pernambuco e Santa Catarina apresentaram taxas de -0,1% e -6,9% e de -0,3% e -5,8%, respectivamente.

Espírito Santo se manteve na liderança da expansão, com aumentos de 23,2% no primeiro trimestre e 15,5% no segundo. Mesmo com índices positivos, Paraná e Rio Grande do Sul experimentaram considerável desaceleração. A indústria paranaense passou de um crescimento de 6,4% no primeiro trimestre, para 0,2%, no segundo; e a indústria gaúcha, de 4,1% para 1,9%.

Anteontem, o IBGE divulgou outro indicador preocupante. As vendas do comércio nacional despencaram em junho e fecharam o primeiro semestre com queda de 5,57%. O mês de junho registrou a sétima queda consecutiva de vendas no varejo, de 5,37%.

Dados do Serasa também mostram que o volume de cheques devolvidos por falta de fundos voltou a bater recorde em julho: foram devolvidos 16,8 cheques a cada mil compensados, o segundo maior índice desde 1991.

Agroindústria supera dificuldades

O crescimento das exportações e a safra recorde permitiram à agroindústria superar a recessão do setor industrial no primeiro semestre e registrar um crescimento de 1,5% contra igual período do ano passado. Na mesma base de comparação, a produção industrial do País ficou estagnada (0,1%).

Apesar do aumento, o resultado da agroindústria foi bem inferior ao crescimento registrado no segundo semestre do ano passado (8%). Mas a economista do departamento de indústria do IBGE, Isabela Nunes, disse que a redução no percentual de aumento não indica de forma alguma desaceleração do setor agroindustrial. “Não houve qualquer desaceleração, houve crescimento bem superior à média do setor industrial e sobre uma base muito elevada.” No primeiro semestre de 2002, o crescimento havia sido de 8,9%.

A manutenção de resultados positivos é atribuída por Isabela ao aumento de 23% previsto para a safra de grãos neste ano, que deverá atingir 120 milhões de toneladas. Outros fatores apontados são a capitalização dos agricultores por causa dos bons preços no mercado internacional. A contribuição das vendas externas veio tanto no aumento do volume exportado quanto na conquista de novos mercados, como a China e a Argentina, que liberou a importação de frangos brasileiros.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, no primeiro semestre houve crescimento da exportação de importantes produtos da agroindústria, como óleo de soja (108,1%), carne bovina industrializada (73,2%), carne suína congelada (69,1%), carne de frango industrializada (56,9%), açúcar (44,2%), café (18,1%) e fumo (10,2%).

A expansão da agroindústria sofreu impacto positivo dos produtos utilizados pela agricultura, como máquinas e equipamentos agrícolas, que registraram aumento de 23% na produção no semestre. O segmento de adubos e fertilizantes também deu contribuição positiva, com expansão de 4,9% no período, por causa do aumento da produção da cana-de-açúcar e de grãos, especialmente da soja, que absorve cerca de 35% do total produzido pelas indústrias do setor.