Rio – A queda de 3,3% no consumo das famílias brasileiras no ano passado, em relação a 2002, causou a destruição de 897 mil postos de trabalho, calcula o economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carlos Eduardo Young, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Somando esses empregos perdidos com os que seriam criados se o consumo tivesse acompanhado o crescimento médio anual de 1,3% da população, o total atingiria 1,262 milhão de postos de trabalho.

“A política macroeconômica de contenção do consumo para o controle da inflação gera desemprego”, disse Young, que é professor do Instituto de Economia da UFRJ. “Os setores ligados a consumo pessoal, como comércio, vestuário e serviços para a família, são os que mais geram emprego”, afirma. “Mesmo o aumento dos empregos gerado pelo crescimento espetacular das exportações de bens e serviços, de 14% no ano passado, não compensa” a destruição de vagas em outros setores, afirma.

O incremento nas exportações criou, segundo as contas de Young, 856 mil postos de trabalho. O saldo entre os empregos perdidos pela queda do consumo e os criados pelo aumento das exportações é de 41 mil empregos destruídos. Contando também os postos de trabalho que deixaram de ser gerados pela não manutenção do consumo per capita, o resultado negativo vai a 406 mil postos de trabalho.

Young observa que o setor de agronegócio, que tem crescido no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, é altamente mecanizado. “Mesmo crescendo, a agricultura perde empregos”, afirma. Segundo Young, os quatro setores escolhidos pelo governo para a política industrial -semicondutores, fármacos, bens de capital e software – também se caracterizam por criar poucos empregos.