São Paulo (AE) – A redução da oferta mundial de café tem garantido alta consistente dos preços do produto. Os contratos futuros na New York Board of Trade (Nybot), de Nova York, alcançaram nesta semana os níveis mais altos dos últimos cinco anos. Junto com o açúcar, o café poderá contribuir para amenizar as perdas na balança comercial do agronegócio este ano, já que outras importantes commodities agrícolas, como soja, milho e trigo, amargam baixos preços.

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, durante seminário esta semana em Brasília, avaliou que o ciclo de preços ruins para a cafeicultura terminou. A saca do café no Sul de Minas bateu em R$ 300,00 livre ao produtor, nesta semana. Há um ano a saca valia cerca de R$ 200,00. Em 2002, quando os preços tiveram queda histórica, a saca estava em R$ 110,00.

Segundo o ministro, no próximo ano a oferta também será menor do que a demanda. A Organização Internacional do Café (OIC) estima que a produção mundial de café em 2005/06 deve ficar entre 106 milhões e 108 milhões de sacas de 60 kg. Isso representa um déficit de cerca de 7 milhões de sacas em relação ao consumo.

Apesar da perspectiva otimista, os produtores não estão satisfeitos. Existe pressão para que o governo conceda o parcelamento das dívidas contraídas nas últimas três safras. No entanto, diante da firme posição da área econômica do governo em não ceder, por causa do atendimento a outras prioridades na área agrícola, os representantes do produtores já aceitam renegociar apenas as dívidas referentes à safra 2004/05. Estima-se que as dívidas dos cafeicultores referentes aos empréstimos para financiamento de custeio, colheita e estocagem das três últimas safras somam R$ 536 milhões. Desse total, cerca de R$ 100 milhões foram quitados até o último dia 10.

As lideranças dos produtores também insistem na criação de um fundo mundial para regular oferta e estabilizar os preços do café. O governo, porém, resiste. O próprio diretor-executivo da OIC, Nestor Osorio, tem defendido o livre mercado. Segundo ele, ?no cenário atual, não há lugar para uma intervenção direta?, afirmou, citando as cotas para exportação e retenções como políticas intervencionistas.

Para Osorio, a saída para evitar oscilações bruscas de preços está no estímulo ao consumo mundial de café.

No Brasil, o consumo interno de café deve alcançar 15,8 milhões de sacas este ano, segundo a estimativa mais conservadora da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Mas o diretor executivo da entidade, Nathan Herszkowicz, cogita a possibilidade de que a meta de 16 milhões de sacas, prevista para 2006, seja superada já neste ano. Nathan ressaltou, porém, que as indústrias estão trabalhando com um cenário de abastecimento restrito em 2005.

Quanto à exportação, o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé) estima que este ano o País deve embarcar cerca de 23 milhões de sacas de 60 kg. O resultado, se confirmado, vai representar o embarque de menos 3,44 milhões de sacas (queda de 13% em relação ao ano passado, quando foram embarcadas 26,44 milhões de sacas).

Em termos de receita, a expectativa do Cecafé é de que o faturamento alcance US$ 2,361 bilhões, com aumento de perto de 17% sobre 2004 (US$ 2,02 bilhões). Estima-se que os preços médios podem subir cerca de 30% em 2005.