Brasília – A proposta de reforma da previdência que será apresentada pelo governo até o início de setembro vai ter foco em mudanças a longo prazo e será elaborada a partir de uma reavaliação da contabilidade da previdência. As declarações foram feitas nesta terça-feira (3) pelo ministro da Previdência, Luiz Marinho, em entrevista coletiva à imprensa após reunião do Fórum Nacional da Previdência Social.

Marinho afirmou que apesar do déficit de R$ 4 bilhões em 2006, não há problemas a curto prazo porque as contas da previdência caminham para o equilíbrio e até o final de 2008 devem atingir superávit. ?É preciso olhar para os próximos cinqüenta anos, pensar em mudanças para o futuro, para as novas gerações de contribuintes?.

O ministro adiantou que a proposta do governo vai considerar as contas da previdência sob uma nova perspectiva, que vai excluir dos gastos da pasta despesas com pagamento de benefícios dos trabalhadores rurais e incentivos fiscais à exportação do agronegócio, por exemplo. ?Precisamos deixar claro o que faz parte do regime de receitas e despesas do regime geral da previdência social e o que eventualmente está nas costas da previdência e não deveria estar?.

Na reunião de hoje, o Fórum ouviu representantes das bancadas dos trabalhadores e dos empregadores sobre os recursos da Seguridade Social e sua implicação na reforma da previdência.

Marinho disse que as análises e sugestões apresentadas durante o Fórum serão levadas em conta na elaboração da proposta do governo. "Nós estamos maturando o debate e as divergências são importantes para depois se chegar a um ponto de acordo, de entendimento?, avaliou.

Na próxima reunião do Fórum da Previdência, marcada para os dias 3 e 4 de agosto, representantes do governo, dos trabalhadores e dos empregadores vão revisar as análises apresentadas até agora e sistematizar as discussões para avaliar consensos e divergências entre os setores.