Rio

– O ministro da Saúde, Barjas Negri, garantiu ontem que não haverá aumento no preço dos remédios até o fim do ano, apesar das pres-sões da indústria farmacêutica. Ele informou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária está acompanhando as oscilações do câmbio para avaliar o impacto da alta do dólar e calcular o reajuste dos medicamentos.

“Nesse momento não há nenhuma autorização (para aumento). Não é para fazer elevação de preços até o fim do ano”, disse.

Reclama

A indústria farmacêutica vem pleiteando a flexibilização da política oficial para preços de medicamentos, congelados desde fevereiro. Argumenta que a alta da moeda norte-americana teria provocado uma defasagem nos preços de 15%, pois grande parte dos insumos é importada.

A Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma) informou em nota, assinada pelo presidente da entidade, Ciro Mortella, que pode processar o Ministério da Saúde pelos prejuízos acumulados. “O mais preocupante é que, agora, autoridades governamentais simplesmente declaram que não haverá reajuste nos preços dos medicamentos até o final de 2002, em total conflito com as informações anteriores que jogavam o reajuste para o período pós-eleitoral. Continuamos abastecendo o mercado com nossos produtos, essenciais à população, mesmo acumulando perdas que afetam a saúde econômica de nossas empresas e continuaremos com essa atitude, ainda que sob as atuais condições adversas”, diz o texto.

Barjas Negri esteve no Rio para inaugurar o Centro de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. A intenção é ampliar e melhorar o atendimento para doentes de câncer.

Falta campanha

“Os casos de câncer crescem. Não fazemos adequadamente uma campanha de combate ao fumo e as pessoas continuam adoecendo”, reconheceu Barjas Negri. Ele alegou a proximidade das eleições para não ampliar campanhas contra o cigarro. “Nesse momento não pode haver campanha comunitária, mas o Tribunal Eleitoral abriu excessão para pólio e dengue”, afirmou. Outras 55 unidades como a do Hupe serão inauguradas em todo o País até o fim do ano. Serão investidos R$ 220 milhões em equipamentos.

Dengue

O ministro Barjas Negri lamentou que o governo de Anthony Garotinho no RJ tenha deixado de investir cerca de R$ 10 milhões que o Ministério da Saúde havia liberado para o combate à dengue no Estado. “Estamos reunidos com o secretário atual, Leôncio Feitosa, para refazer o planejamento e tentar fazer o Rio aproveitar a verba”, afirmou.