São Paulo – Os investimentos no mercado de renda fixa, remunerados por taxas de juros, foram as campeãs de rentabilidade em fevereiro. As quatro primeiras posições no ranking dos mais rentáveis foram ocupadas por aplicações de renda fixa, também as únicas que renderam acima da inflação de 0,69% do mês calculada pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M). A liderança ficou com os fundos DI, com rendimento bruto médio de 1,36%, seguidos pelos CDBs para valores acima de R$ 100 mil, com 1,25%, fundos de renda fixa, 1,24%, e CDBs para baixos valores, com 1,03%. A caderneta de poupança rendeu 0,55%.

A Bolsa de São Paulo, com desvalorização de 0,44%, frustrou mais uma vez a expectativa de quem apostou em ações. Somada à queda de 1,73% em janeiro, a Bolsa paulista acumula desvalorização de 2,16% nos dois primeiros meses do ano. Os fundos DI, que renderam 1,30% em janeiro, atrás apenas do ouro, que liderou o ranking do mês passado com 1,87%, acumulam ganho de 2,53% no ano. Fevereiro também não foi bom para os demais ativos de risco: o dólar comercial recuou 0,89%; ouro, 2,37%; e dólar paralelo, 2,96%.

O bom desempenho das aplicações de renda fixa refletiu a manutenção da taxa básica de juros em 16,50% ao ano, em janeiro e fevereiro, depois das seguidas reduções nos últimos meses de 2003. A interrupção do corte de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom), acompanhada de atas com teor conservador em que ficou explícita a preocupação do Banco Central com a tendência da inflação, esfriou o ânimo dos investidores pela compra de ações. O desinteresse foi acentuado também pelo estresse provocado pelas denúncias de corrupção contra Waldomiro Diniz, assessor do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.

O clima de instabilidade e mal-estar nos mercados não foi suficiente para dar gás ao dólar, por causa da ampla oferta da moeda americana, pelo ingresso de capitais trazidos pelos investidores estrangeiros, e pelas exportações. Outro fator que tirou a sustentação ao dólar foi a interrupção das compras da moeda americana em leilão pelo BC, suspensas ainda na primeira quinzena do mês.

Os mercados iniciam o novo mês, na segunda-feira, atentos aos novos indicadores de inflação, para tentar desenhar os movimentos do BC na política monetária, e também ao reínicio dos trabalhos no Congresso, que tem na agenda votação de projetos importantes para a economia. Uma melhora de expectativas nessas duas questões é considerada condição necessária para a melhora de humor dos mercados.