A Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) dá início a partir do final deste ano, à aplicação dos investimentos anunciados há cerca de três meses para a unidade de Araucária, avaliados em US$ 1,39 bilhão e programados para se estenderem pelos próximos seis anos. A ampliação da refinaria contempla novos complexos para processamento de combustíveis e solventes, gerando cerca de 17 mil empregos diretos desde a fase de implantação até a operacional.

Entre as apostas da Repar estão a produção de coque e a separação do propeno, matéria-prima até então destinada para o gás de cozinha, mas que abriga usos mais rentáveis, dignos de atrair indústrias de transformação para o Paraná.

Os novos complexos contemplarão também diesel, gás combustível, gás de cozinha (GLP) e solventes, como o hexano – usado na extração de óleos vegetais. Segundo o gerente-geral da refinaria, João Adolfo Oderich, a modernização visa à melhora na qualidade dos combustíveis, que se tornarão menos poluentes, e à auto-suficiência de petróleo. ?Estamos caminhando para processar somente petróleo nacional, mas isso exige adaptações das refinarias, que antes trabalhavam com o óleo importado?, explica.

O coque – extraído do petróleo e usado na fabricação de alumínio e como combustível nas indústrias cimenteiras – deve ganhar destaque como matéria-prima. Hoje é importado pelo Brasil, mas, para Oderich, a tendência é que passe a ser produzido integralmente aqui. ?Também deve repercutir nas exportações. Hoje exportamos cerca de 10% do petróleo processado. Esse óleo combustível deve ficar no Brasil para a produção do coque?, adianta.

Outra promessa para atrair investimentos para o Estado é o propeno, usado na indústria petroquímica para fabricação de polímeros utilizados na fabricação de produtos absorventes, plásticos e resinas, principalmente. ?Com isso o Paraná poderá atrair indústrias de segunda e terceira geração. A proximidade da matéria-prima é vantagem competitiva?, acredita Oderich, que prevê uma produção de 180 mil toneladas/ano de propeno, ainda insuficiente para suprir a ?demanda nacional reprimida?, ainda que crescente – como o próprio gerente define – em cerca de 5% ao ano. A modernização da Repar também permitirá aumento de 10% na produção de barris/dia de óleo combustível – que saltará dos 200 mil atuais para 220 mil.

Apesar das adaptações, Oderich garante que não haverá problemas para o abastecimento local e justifica o incremento modesto nas receitas atuais da refinaria – que responde por 22% dos tributos gerados no Estado – pelo não-repasse dos investimentos no preço do produto final. ?O aumento na rentabilidade ficará limitado a uma média de 10% – de R$ 12 bilhões para R$ 13 bilhões – decorrente da ampliação do refino. As outras unidades vão representar muito pouco no orçamento, já que se destinam tão-somente à melhora da qualidade do produto.?

Estudos de impacto ambiental e profissionalização de mão-de-obra também estão incluídos nos investimentos. De acordo com o gerente-geral, metade do valor destinado à modernização da refinaria foi aplicado com vistas à preservação do meio ambiente. ?Com combustíveis menos poluentes a frota de veículos de Curitiba, que hoje é da média de 650 mil veículos, vai poluir por apenas 40 mil.?